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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Baiana legítima

Baiana legítima que sou
Não consigo me imaginar levando uma vida sem condimentos
Sem pimenta e sem dendê
Sem quintura e sem folia
Quadril inflamado gingando nas rimas...  ou não
Caindo nos cantos
Sambando nos becos
Cravando nas peles alheias o símbolo dos desejos


Karolyne Gilberta

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Uma noite de descanso em meio ao caos

Uma noite anestesiada pelas expectativas
Sorrisos largos e olhares cúmplices furtivamente trocados na mesa do bar
O som
A cor
Os aromas
As peles tornando-se cada vez mais febris
O abandono da companhia
O inventar das fantasias
O vento no rosto relembrando aventuras
A junção dos corpos revelando texturas
O despir
O devir
A intimidade rapidamente conquistada
Os dóceis corpos, os corpos doces, os corpos e os doces...espalhados sobre a cama
Manchas açucaradas pelo lençol
Subidas, descidas, investidas
Cabelos em rabo retorcidos pelas mãos viris
A surpresa da tamanha força contida nos gestos do outro
O braço que alcança a pele que anseia
Mãos e bocas afoitas desnudando o completo desconhecido
Depositando saliva
Transformando o corpo em alimento
A escuridão
O meio termo
Acendem-se as meias luzes
Assinam-se os termos da busca incessante do prazer
Sem descanso
Com desfrute
A garganta que se afeiçoa e adapta ao formato
A grossura
Ao tesão tamanho
A preocupação
O preservativo
A penetração
Os gozos tantos
A boca abocanhando os grossos lábios
A sucção
O prazer que liquido escorre entre as pernas... entre os poros
O orgasmo que num jato quente se confirma
A água esfriando a pele em brasa
Descanso
Olhares mansos
Palavras moles
A conversa fluindo com naturalidade diante dos corpos entrelaçados depois da saciedade alcançada
O sono
O vento nos rostos mais uma vez
O abraço
A despedida
Os bons sonhos pela réstia de manhã que displicente insistia em despontar
A necessidade do recordar e viver tudo aquilo outra vez.
 
 
Karolyne Gilberta

sábado, 1 de fevereiro de 2014

De dentro

Quando me tocava, diante do olhar curioso dele,
estalou-me a imagem dela na mente
e veio mesmo assim de repente
como coisa que é para não ser, mas é.
À excitação rendi-me!

Momentos depois no meio de um novo ato
me apareceu outra vez como uma certeza
do que eu queria ter entre os lábios, minha presa,
do mesmo jeito que ele me tinha entre os dele
naquele momento sublime a me sugar.

Afundando sua cabeça entre minhas pernas
Sentia a língua dele e as outras vontades que vinham junto
Perdida no meio da novidade do assunto
Deixei que a mente e o corpo guiassem minhas sensações.
No desejo perdi-me!!

Deitada de costas
Com as mãos ansiosas enlaçando os seios
Pensava meio torto que ela podia ser meu recheio
Enquanto eu era fartura na boca dele também
Café, almoço, sobremesa e jantar!!!
 
 
Karolyne Gilberta

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Ele
vício
Eu
mãos atadas em queda livre
rumo ao precipício
 
 
 
Karolyne Gilberta

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Banquete

Naqueles (todos) dias em que cresce a vontade de ser bem comida e de bem comer, meu corpo denuncia o desejo que carrego em meus membros. Uma umidade leve, quase latejante, me surge entre as pernas e uma gana intensa de ti se apodera de mim. Deito nua e, inevitavelmente, lembro-me de teu corpo. Na necessidade incontrolável de te dizer “me chupa”, antevejo tua boca descendo de meus lábios, se detendo em meus seios (que se erguem em polvorosa) e depois de brincar com as curvas de minhas coxas seguir me secando e me deixando cega de tanto prazer. Descontrolo-me e desmancho toda em sua língua. Derreto. Gozo. Um gozo intenso e ensurdecedor. Boceta molhada... salivante... sedenta... dura... quente... faminta... pronta para te receber. Aumenta a sofreguidão que sinto por teu pau e compreendo que minha febre que por ele nunca cessa. A boca saliva. Meu céu quer abrigá-lo... protegê-lo. Fantasio minha língua passeando desde a cabeça até o final de tuas bolas: abocanho teu falo. Sugo a gota que escorre implorando que eu a devore. Imagino-te adentrando meu terreno em fogo e eu me perdendo de vez. Você me montando. De quatro e depois em cima de minhas costas deitado com o rosto de frente para o colchão. Minhas pernas te comprimindo. Delicio-me te vendo gozar e me sentir gozando em teu membro que agitado pulsa selvagemente. Sinto minhas ânsias satisfeitas, pois teu membro em riste é a única coisa que sacia minha fome... ou deixa-a ainda maior. Meus labirintos também pulsam e minhas entranhas te devoram. Não desejo mais largar. Vontade de foder o dia inteiro... a vida inteira. Você me beija os lábios e geme baixinho. Segura meus cabelos e deixa que tua mão impaciente repouse sobre minhas nádegas. Quando escorres, quero teu liquido em todas minhas cavidades. Em estado de urgência te solicito na boca, boceta e rabo. Assim, tenho-te impregnado dentro e fora de mim. Constato que meu sossego só vem no contato de nossas peles, porque eu gosto é do teu gozo... gosto mesmo é do teu gosto.


Karolyne Gilberta

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Recomeço

Devolve minha pele desconhecedora de tuas carícias para que ela não arda sempre que ouvir o nome de alguém que seja homônimo teu.
Devolve minhas palavras para o tempo que meus poemas não falavam de ti e eu possuía vida para além da tua... para além de nós.
Devolve meus desejos antes de tua pele encontrar a minha para que eu não o ambicione todas as horas perdido entre meus braços.
Devolve meus segredos que te fiz guardião por querer-te demais para que minha história subsista sem a tua.
Devolve o sossego dos dias em que não te conhecia e não necessitava ouvir tua voz para que meus membros voltem a me pertencer.
Devolve minhas noites vazias de teus vestígios para que meus sonhos voltem a ser tranquilos de vontades que me negas pela distância que se encontra de mim.
Devolve, enfim, meus olhos, pois estes já não querem mais ver o mundo se nele, mesmo que vez por outra, na incerteza e na impossibilidade, não nos esbarramos para nos reconectar.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Em transe




Encara-me de frente
Peça-me o que quiser que eu lhe dou
Inebria-me com teu perfume
Consinta-me velejar no seu corpo macio
E perceber-lhe o bico dos seios alterando o volume

Aceita minhas mãos despindo-lhe a roupa
Perdendo-me em teus cantos e curvas
Mordendo-te com ou sem delicadeza as coxas
Tuas pernas enlaçadas em meu pescoço
E meus dedos aflitos passeando por entre suas ruas

Vem e abra suas pernas assim, pra mim
Diz-me do que tu gostas
Me deixa beijar teus lábios
Molhando-os com os meus
Unirmo-nos com ternura
Deixar que deles escorram toda doçura
Ensina-me os desvios dos caminhos teus
  
Vem que eu vou comprimir teus labirintos
Cobrir-te com meus instintos
Saciar tuas vontades
Deixar-te de tão louca rouca
Na urgência dos carinhos meus

Explorar nossos caprichos
Aumentando tua umidade
Trazer tua liquidez para meu céu da boca
Prender-me em ti com beijos e afagos
Fazer com que me escorra garganta a dentro sua lascívia em gotas

Lamber-lhe sem pudor os pêlos
Ou o lugar que deveriam estar
Roçar minha pele de encontro ao seu corpo macio
E entre arrebatamentos, gozos e novas vontades
Respiração suspensa, sentidos aguçados... te fazer saciada descansar.

Derrame-se em mim!
Deleita-me em fartura!
Imagina tudo que pode ser... e será.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Pele morena... da cor do desejo

Ao olhar-te aumenta minha vontade de afundar os dedos em seus cachos
E sentir de perto o perfume que deles emana
Mergulhar nesse seu jeito de olhar que incendeia
Olhar que parece devassar aquele que é olhado
... quem sabe ele não me desnude
E eu nua te faça presa
Em meus lábios que junto aos seus descubram novas formas de obter e dar prazer
Retida nesses seus lábios que carregam sorrisos tímidos
Que anseio venham passear por minha pele molhados de desejo
E por eles, prender-te-ei em meus beijos
Sua fala mansa que imagino despejando-me delírios aos ouvidos
Ainda far-me-á dedicar-te muitos suspiros!
Se o desejo tem cor... só pode ser o da tua pele!


Karolyne Gilberta

Uma tigresa de alma preta



Essa que é a sua nega de pele clara,
Essa que clama por ti em minha cama
... todo dia,
... toda noite!
Essa que é chama cada vez que pensa em ti
e arde!!
Essa que nem sabe por que é
... só sabe que sente
E sente um muito!! Um tanto!!
Sente vontades, desejos, paixões
Não só da carne, mas também dela.
Gasta “paredes pensando em ti”
E carrega os dias esperando o tempo
de estar junto!

Karolyne Gilberta

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Afinal



Excessos
Excertos
Fragmentos de um romance sem fim nem começo
Pequenos retratos de uma guerra contra sentimentos e sensações

‘É a bossa
É a bossa’
Escuto músicas novas e mesmo as antigas e quase sempre encontro você nelas
As que ouvimos juntos nos momentos de deleite sexual
Noutras vezes as que ambos gostamos ou aquelas que jamais suporia você ouvir
Hoje eu sei que elas não só parecem fazer, mas contam nossas histórias

‘São sons
São sons de sins
Não contudo’
A necessidade de criar versos para me redimir
Para alongar a vida... para acariciar a ‘pequena morte’
Traduzir em letras o que nem mesmo o corpo consegue cont’a’rolar!

terça-feira, 12 de março de 2013

A vida

Um dia percebi que a vida, por seus caminhos tortos, queria convencer-nos que éramos a coisa mais erradamente certa um para o outro.
Se por medo ou por vaidade, não sei, passamos a maior parte do tempo sem lhe dar atenção.
Colocando a vida na balança só consigo ver hoje o quanto de tempo jogamos fora!

Karolyne Gilberta

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Desejar é bom

Desejar é bom, principalmente quando você sabe que o que te separa de seu objeto de desejo é apenas o tempo da espera.
O caminho fica mais fascinante a cada tiquinho que a espera encurta.

K. G.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Um banho de prazer


A água que escorre sobre nossos corpos
Dilata meus poros para as vontades felinas:
Banhar-te com minha língua

Sua mão espalhando o sabonete por meu corpo
Atiça em mim o desejo de que venhas me dominar
Vou descendo sem pressa

Não resisto e logo me calo com seu falo em minha boca
Te encaro, mas permaneço muda
Fico planta com suas raízes em mim

Encostada contra a parede me entrego
Você me possui
Toda úmida me derreto

Sua respiração em meu cangote
Aos poucos me desfaço
Enlouqueço

Me abro e dou passagem
Afasto as pernas e deixo você entrar
Deflorada vem o arrepio

E enlevada sinto
Seu sêmen a escorrer dentro de mim


Karolyne Gilberta

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Solenemente apaixonante

Aquela pele preta reluzente deixava-o doido como o diabo. Não só a pele. Havia aqueles olhos escuros e profundos de comer fotografia...  de derramar um rio dentro de quem se atrevia a olhá-los. Também aquele par de peitos imensos, redondos, majestosos. E o que imaginar ao encarar aquela boca de maçã madura com lábios fartamente recheados? Qualquer pensamento se desfazia antes mesmo de sonhar acontecer. De tão vermelhos eram quase roxos... solenemente apaixonantes. Aquelas coxas roliças e tenras. Nem mesmo duas mãos enlaçadas davam conta de cobrir uma delas sozinha. Sem falar naqueles pés pequenos... delicados. Prontos para fazer até mesmo o mais forte sucumbir debaixo deles. Quantas vezes não delirou de desejo para que ela pisasse nele com eles!! Ou aquelas costas... serenas... com duas marquinhas leves ao final de sua estrutura. E o cabelo abastado a tirar-lhe a energia como se ele fosse Sansão e suas forças estivessem nos cachos dela?Ahhh!!! Ao contemplar algumas daquelas partes encaixado atrás de sua bunda empinada... olhando-a ali de quatro no tapete da sala, apoiada nos joelhos e mãos e olhando para trás com aquele sorriso quase cruel sentia-se quase incapaz! Estava exposto e entregue a cada uma dessas partes que fazem a composição mais perfeita que ele já sonhara conhecer! Se o corpo não respondesse às provocações do desejo, poderia esperar que o mundo acabasse ali mesmo: com ele (am)parado dentro dela. 


Karolyne Gilberta.

domingo, 2 de setembro de 2012

Firmamento

Eu sou a tua doença e tua cura.
Sou tua perdição e tua salvação.
Teu pecado e teu perdão.
A redenção que encontras na heresia. 
Sou seu chão... seu firmamento.

Sou teu poço.
Teu fundo, teu raso, teu mundo.

Se agarre em mim.
 Salta de cabeça.
Mergulha com força. 

Firmemente.

Se joga.
Se solta.
Sê solto.

Vem fera.

Descansa as feridas.
Vem com fé. 
Não resistas.
Acredita que é possível... 
Faz o improvável:

Se SALVA ou se PERDE em mim de uma vez.

Karolyne Gilberta.