terça-feira, 23 de julho de 2013

Tatuagens

As lembranças de tudo que temos vivido insistem em não me deixar em paz
Não durmo, não como, não vivo direito. Foder com outro(as), ainda, não sou capaz!
Viro e mexo na cama procurando posições que sejam exequíveis sem você
Desisto desconsertada, Não há o que vença essa batalha que travo todo anoitecer.
Conjecturo façanhas que poderíamos realizar por sobre meus lençóis amarrotados
Na certeza da não realização, extenuada me viro novamente para o outro lado!

Você imprimiu em mim as tatuagens que “meu” outro Francisco cantou
Com indecentes carícias, em minhas curvas capítulos inteiros de volúpia desenhou.
Ondas de êxtase meus poros percorrem como ruas. Hoje minha existência desfia poesia tua.
Para ti lábios abertos, braços abertos, pernas abertas. Me oferto completamente nua.
Projeto tua imagem em minhas retinas corrompidas. Peregrino nos desvarios da mente.
Viro a noite em vontades de que, como por milagre, apareças em minha frente!

Andante imóvel. Subsisto nos dias pela necessidade de permanecer entre seus braços.
Na distância és presente, suspensa me sinto quando fustigada por teus afagos.
Contigo me vi cárcere de sentimentos supliciosamente perversos.
Em vão tento de mim expulsar-te aprisionando nossas sensações em versos singelos!

Acorrentada, atada, retida, prisioneira sem imposição!
Generosa, arrebatada, opulenta, amante a tua disposição!
Impuseste-me necessidades de abundâncias.
Hoje, mais generosa, só me preencho em abastança.

Provocada, devota, inflamada. Em mim chamas! Me incitas... excitas!!
Impondo-me o revirar a carne na procura incontrolável de ‘sensações proibidas’.
Devasso meu corpo na ilusão de te encontrar. Me invado. Meu sexo enlaço.
Fecho os olhos e me chegas. Nas reminiscências com pouco lhe acho!

Boca seca, suor, ejaculação, umidades.
Despertou em meus membros gana de superioridades!
Saliva que escorre, calafrios, retesamento, virilidade.
Você é o desejo que emerge por todas minhas cavidades!

Me deixas tresloucada, afável, arfante.
Reinvento cenas, evoco delírios, na incerteza que permaneças em meus instantes!

Karolyne Gilberta

Referências musicais:
Chico Buarque – Tatuagem
3 na massa - Pecadora

domingo, 21 de julho de 2013

O amor em 10 atos

1ª ato 
Você deitado sobre o colchão com os olhos cravados nos meus a me enviar, quase que desesperadamente, súplicas mudas, desejos imperativos que eu faça de seu corpo minha taça. Sorvo o que me dedicas. Teu recipiente transborda repleto de minha bebida predileta: teu gosto. Passeio com meus lábios sempre aquecidos pelos quereres por seu corpo que se encontra em estado de alerta. Bebo-te.

2ª ato
Mais do que ver, sinto seus arrepios como se partissem de mim. Vagueio entre pêlos e cabelos, do pescoço a virilha. Detenho-me em tom de quase brincadeira entre suas coxas, espiando de soslaio suas bolas envoltas em poucos e curtos pentelhos, nariz e lábios abaixo de seu falo semi-rijo. Teu pau me encara. Teus olhos me vigiam.

3º ato
Abocanho teu membro, que percebendo as batalhas que travará dentro em breve, mais e mais se agiganta ocupando todo meu céu. Beijo-te o topo da cabeça do membro para não perder de minhas entranhas seus pensamentos e desço com a boca aberta para proporcionar-te abrigo em local seguro. Chamo as mãos companheiras para ajudar nos afagos. Me prolongo. Te provoco. Me redimo dos pecados.

4º ato
Sento sobre teu falo imponentemente em riste. Devagar. Elevo-me. Agacho. Minhas nádegas encontram tua pele preta. Ergo-me. Descaio. Teu pau mergulha no mais profundo de meu labirinto. Encaixo-me. Componho canções em meu interior para sua bravura. Convido-te para dançá-las em meu colo. Solicito sua presença em meu salão de festas. Fatalmente te engulo.

5º ato

Excitada, em delírio, febril, me precipito sobre tua boca macia e feita sob medida para meus usos. Beijo-te a exaustão. Te afago violentamente afável, e, já fora de mim, cedo-me para que ocupes meus espaços abandonados. Ofereço meus pequenos e grandes lábios para que sua língua irrompa em minhas margens que sobejam sob seus desmandos. É tua minha fenda.

6º ato
Úmida. Convulsiono a cada sucção que me dedicas e ofegante deixo que me consumas. Não extenuo de me derramar. Entorno. Tu devoras o que me excede. Sou toda excessos. Submeto-me ao poder de tuas carícias, que me chegam também pelas mãos. Entre palma, dorso e dedos vou me liquefazendo. Entre afagos, toques suaves e penetrações vou me diluindo. Meu clitóris expande. Endureço. Sinto-me pronta.
 
7º ato
Assim, ajoelhada sobre tua face reconheço-me refém dos prazeres. Deliciosamente desprotegida. DEBILitada. Avoluma o delírio que sinto através de teus toques. Com eles tu me arrancas o juízo. Coloco as mãos na parede como a pedir clemência e gemo alto, talvez seja até um grito e não um gemido, de tanto que é intenso o que sinto. Pernas como nunca antes trêmulas. Raciocínio inexistente. Flutuo de pernas bambas e abertas diante de teus olhos atentos.
 
8º ato
Trocamos de lugares. Deito-me no colchão e deixo que você se encaixe em meu corpo e me possua com vigor e vontade. Avanças dentro de mim e lascivamente alimentas o movimento dos quadris, num ritmo cada vez mais frenético. Prendo-te em meus olhos e boceta. Comprimo. Te dou passagem e abrigo. Novamente abandono meus espaços para que os ocupe. 


9º ato
Te sinto em minhas paredes. Tua textura. Tua largura crescente. Queimas. Repetidamente me escapam os gemidos. Tu me acompanhas nos não silêncios. Brindamos os distraídos com nossos sons em plena luz do dia. Faz parte do nosso show. Fico de quatro e você se embrenha em mim. Percorre minhas matas. Me acerta em cheio. Me vêm novamente o gozo. Desabito-me. Ouço teu urro. Sucumbes. Ocupo seus espaços. Repousa frouxo, farto, morto, por sobre minhas costas. Jorras e te sinto me escorrer por entre as pernas.

10º ato
Desfaleço. Perco os sentidos. Encontro novos. Flutuo outra vez no ar e é como se ouvisse música. Preciso (te) sentir tudo (todo) outra vez e mais uma vez ainda. Encontramos nossos corpos displicentemente abandonados sobre o colchão e é como se atirassem um fósforo aceso em minha fogueira em brasa. O único caminho possível para meu corpo aceso ainda em chamas é o recomeço.



Karolyne Gilberta


Referencias musicas:
Chico Buarque - Sem Fantasia e Construção
Cazuza - Faz parte do meu show

sábado, 20 de julho de 2013

Nas desconhecidas montanhas negras fiz meu descaminho

Eu que nunca tive medo de aventuras
Vivo na fissura de vencer essas montanhas negras
Minha tara atravessá-las, possuí-las, desbravá-las
Caminhando rumo aos cumes para minha bandeira neles fincar!

Eu que nunca tive medo de aventuras
Encanto-me do tanto que elas transmitem doçura
Altivas, plácidas, violentamente escuras
Perenes, instantes... destarte a me clamar dominação!

Eu que nunca tive medo de aventuras
Anseio contornar essas ensandecedoras curvas
Que saltam por sobre as margens infames
De teu sedutor e abastado corpo moreno!

Eu que nunca tive medo de aventuras
Por entre as retinas fechadas já viciadas vejo-te
Despida, crua, deliciosamente nua, deitada
Insolente a encarar-me por sobre as empinadas montanhas!

Eu que nunca tive medo de aventuras
Ofereço meus abraços/abrigos para fazê-los seus!
 
Karolyne Gilberta

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Covardia

Loucura Teu cheiro entranhado em minhas narinas a cada respiração arrepiando-me os pêlos
Teus dedos argutos que desfilam impunes fazendo de meu sexo brinquedo
Teus dentes arranhando... mordiscando-me os bicos dos seios
 
Tortura

Tua voz sussurrando obscenidades aos meus pés do ouvido
Tuas mãos presas entre meus fios puxando-me os cabelos
Teus olhos nos meus vidrados devassando-me os segredos
Procura

Tua língua sugando meus líquidos e aumentando-me os desejos
Invadindo-me o sexo rijo pressionando-o até causar-me prazer extremo
Tua pele quente a queimar-me ao simples toque de nossos corpos

Descobrindo caminhos... desvendando vontades...

Karolyne Gilberta

Ele me encharcou

Primeiro o sexo
Cheio de dedos, beijos e cuidados

Depois invadiu meu coração de cheio
E minha vida fez-se toda poesia


Karolyne Gilberta

terça-feira, 9 de julho de 2013

Quase epílogo para “Um vazio na cama e no corpo”

Não consigo dormir
É a segunda noite após minha volta
Sinto saudades de sua cama, que agora também é minha
E a minha, que sempre considerei meu refúgio, e que há muito já é dele,
agora já não me deixa mais dormir
Ela vazia de muito não me serve.

 
Faltam as conversas e também os beijos atrás da orelha e na curva do pescoço
Os carinhos, dengos e intimidades
Ouvir música juntos e te ouvir dizer: “Tu é linda, sabia?”
Com esse sotaque tão gostoso quanto seu toque
Olhando-me nos olhos e a pedir-me paciência.


Falta estarmos engatados, mais atrelados que já estamos um ao outro
Eu segurando seu pau
Ele apertando meus seios
Deitado por sobre minhas costas... tatuando em mim suas vontades que acabo roubando de tanto que sei que são minhas.


Sei bem que não dormiríamos
Apagaríamos e ressuscitaríamos após cada pequena morte
Extasiados de tanto sexo, de muito sentimento e de uma vontade louca de que a chama não se apague.


Karolyne Gilberta


***Para entender o título e o texto: http://www.recantodasletras.com.br/poesias/4377514

sábado, 6 de julho de 2013

Enquanto ele me fodia

comecei a escrever esse poema
nos meus pensamentos e em nossos corpos.
Bem que eu tentei terminar,
mas qualquer pensamento é impossível
quando se começa a goz

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Fundos, portas e chaves de entrada

Entre tímido e desajeitado
Ele me sussurra ao pé do ouvido o pedido
Que eu lhe deixe comer meu rabo

Eu penso cá com meu botão
Se isso lá é coisa que se peça
Pois disposta estou em suas mãos


O toque de seu corpo guia o meu 
Seus comandos definem meus desejos
Minha boceta, sem pena, escorre a cada toque seu

Assim exposta corpo, alma, coração...
Espero ansiosa sua entrada
Sinto meus músculos impulsionarem cada contração

Respiração que ofega
...
Sentidos que aguçam
...
A pele que se eriça
...
Exausta de tão satisfeita me deixo cair no colchão
...
Fluxo que se intensifica
...
Gozo certo e orgasmo que tão grande chega perder a medida

Karolyne Gilberta