Quando lhe vi transcendendo agarrado em
meus seios, náufrago, olhos perdidos numa outra realidade de um êxtase
profundo, febril, ofegando entre gemidos e sussurros, em delírio, quis
retê-lo para sempre dentro de mim. Minhas retinas fizeram o que puderam e
desde aqueles minutos fundamentais, tenho-te em minha mente de um jeito
selvagem daquele instante para a eternidade. De meu corpo, tua morada,
te senti por inteiro, te enxerguei pelo avesso, sem reservas, sem
ressalvas, atravessando a curta linha que separa a razão dos quereres,
meu menino vadio encontrando o caminho, mesmo ainda perdido em meus
labirintos. Atenta ao pulsar de teu coração em disparada, quase pude
ouvi-lo entre um batimento e outro, a chamar em código meu nome. Corpos
desfalecidos, corações caminhando num mesmo compasso 'disritmado'.
Conexão restabelecida, entendi enfim, que era real nosso pertencimento,
apesar de todas as palavras que porventura ainda tivéssemos por dizer.
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