"Vagina!" Pronto, eu disse. "Vagina!" — disse de novo. Tenho dito esta palavra o tempo todo nos últimos três anos. Já a disse em teatros, em faculdades, em salas de estar, em cafés, em jantares, em programas de rádio. Tenho dito "Vagina!" por todo o país. Já teria dito "Vagina!" na televisão se alguém deixasse. Eu digo "Vagina" 128 vezes todas as noites durante o meu show, Os Monólogos da Vagina, baseado em entrevistas com mais de duzentas mulheres de diversos grupos sobre as vaginas delas. Já disse "Vagina!" enquanto dormia. E digo porque ninguém espera que eu diga. E digo porque se trata de uma palavra invisível — uma palavra que desperta ansiedade, alerta, desprezo e nojo.
Eu digo a palavra porque acredito que aquilo que não dizemos nós também não vemos, não reconhecemos
ou lembramos. O que não dizemos se transforma num segredo, e segredos, muitas vezes, criam vergonha, medos e mitos. Eu digo a palavra invisível porque quero dizê-la um dia sem sentir vergonha ou culpa. Quero dizê-la com tranqüilidade.
Trecho da introdução de "Os monólogos da vagina" de Eve Ensler.
Leitura séria que recomendo para tod@s. Afinal, precisamos nos conhecer para nos reconhecer.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
"Vagina"
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Solidão é um tipo de morte
Do pátio de dentro nunca sairemos.
Solidão é um
tipo de morte.
João Filho
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Do desejo
IX
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Hilda Hilst
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Rosa Rubra
Com
uma naturalidade que lhe é peculiar a rubra rosa se abre aos olhos dos homens e
do mundo. Dá voltas e voltas em torno de suas próprias partes. Forma quase um
labirinto ao redor de si. Pensa sempre que seu autoconhecimento é insuficiente.
Uma enternecida inveterada pede abraços e retribui com vigor. Deixa-se ser
agarrada ao mesmo tempo em que agarra e crava os dentes em quem se aconchega em
suas dobras. Ela canta. Às vezes músicas ternas, quase cantigas de ninar, mas
quando em fúria, canta músicas agressivas, músicas de libertação. Sibila de
alegria a maior parte de seus dias. É uma dançarina também. Faz artes e
artimanhas. Em suas danças, tem muita alegria em receber aqueles que convida
para lhe fazerem par. Acredita que fala muito, mas quase sempre diz coisas
impróprias, inadequadas. Quando úmida se contrai, fica frenética, tremula tal
qual bandeira agitada pelo vento. Desesperada, procura em quem se agarrar. Nessas
horas assume um cheiro meio amadeirado, outra dose doce também e abandona seu
estado liquefeito tornando-se algo quase cremoso. Tão suave. Gosta de estar
acompanhada. Deseja quase sempre assim estar. Já foi muito ferida e hoje é um
tanto melancólica, mas mesmo assim não deixou que os olhos ficassem rasos. Só permite-se
profundezas. Há dias que fica tão rubra que jorra sangue, meio que chorando por
sua condição de estrada de entrada e saída do mundo.
Texto inspirado em "Os monólogos da Vagina" de Eve Ensler.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Nossos dias
Ele
me põe a mesa,
Me
faz bebida e comida.
Fico
criança e faminta.
Me
denga e eu me derreto.
Me
vira do avesso e me deixa molhada.
Preenche
minha cama logo de cara.
Vem
achando brechas em meu coração,
Transforma tudo por onde passa.
Consegue deixar até o sexo engraçado,
Os
momentos partilhados fora da cama também.
Ele
traz vida aos meus passos,
Desejo
de planos em cumplicidade ao meu futuro,
Chama-me
de princesa... me desmancha.
Tem
sido luz em meus dias.
E o
desejo que essa história não termine cedo...
quem
sabe talvez, que não termine nunca.
Karolyne Gilberta
domingo, 21 de outubro de 2012
Noites quentes
Ele acorda, suor escorrendo, pênis em riste e sem pedir licença lança-se
sobre mim tal qual um furacão no auge. Morde-me a bunda com raiva, belisca-me o
bico dos seios e mordisca minhas coxas. Vai degustando tudo até parar logo abaixo
de minhas nádegas. Corpos úmidos. O calor interno toma conta de nós.
Suspiro.
Atira-me contra a parede e me comprime os seios rente a parede
fria. Esfrega-se em minhas costas. Crava as unhas na pele arrepiada. Puxa-me
para trás agarrando-me os braços me deixando imóvel e suspira forte em minha
nuca. Passa a língua em minha orelha.
Encharco.

Deliro.
Torno-me incapaz de pensar enquanto os sentidos se aguçam... Seu
cheiro me inebria, deixa tonta e alerta. Acompanho sua respiração alterada. Ele
prossegue avançando rumo à porta dos fundos, e, com a mesma deliciosa
indelicadeza, adentra novamente sem bater trazendo juntos o prazer e a dor.
Tremo.
Ele vocifera. Não se aguenta e urra... Pesa a mão e acerta-me as
ancas... Vai aumentando a força que imprime aos tapas e a intensidade da
penetração. Domina-me. Descontrole tomando conta do corpo e da mente esporra
aos gemidos e gritos. Extenuado volta a adormecer.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Por sua conta
Dominada,
contaminada, arrebatada:
Fiquei
assim por sua conta.
Querendo
estar em seus lençóis,
Aconchegada
em teu peito,
Dona de
tua cabeça,
Refém de
teu corpo,
Resposta
de teus instintos,
Personagem
de teus sonhos,
Abrigo
de teus silêncios,
Embriagada
por teu cheiro, por teu gosto,
Apoderada
de teu cio,
Presença
em seu adormecer e despertar,
Ninho em
teus braços,
Repouso
de teus abraços,
Companhia
de teu caminhar,
Parte de
tuas histórias,
Refúgio para
tuas inquietações,
Primavera
e verão de teus dias,
Preenchimento
de teus espaços.
Tão
tanto, tão parte, toda assim... por tua conta.
Karolyne
Gilberta
Descontrole
Boca, língua, exploração...
Pêlos, saliva, respiração...
Mãos, dedos, transpiração...
Pele, suor, contração...
Cadência...
Movimento...
Consequências...
Músculos retesados,
arranhões...
Expressões de humanidade,
Demonstrações de vitalidade,
Sangue que pulsa,
Fluxo que segue,
Impulsos que SEMPRE vencem.
Karolyne Gilberta.
Pêlos, saliva, respiração...
Mãos, dedos, transpiração...
Pele, suor, contração...
Cadência...
Movimento...
Consequências...
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Demonstrações de vitalidade,
Sangue que pulsa,
Fluxo que segue,
Impulsos que SEMPRE vencem.
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Na cama
O começo antes de todo início ou de todo fim
O jogo
da sedução que precede o ato,
As bocas
que exploram os espaços dos corpos,
Da boca
superior aos lábios inferiores.
A mão
que veleja junto,
Olhos
que estabelecem contato íntimo, pessoal e intransferível,
Pele
que se encontra e se descobre no toque da outra.
Corpos
que estimulados atravessam montanhas,
Percorrem
vales,
Vencem
depressões,
Desencaminham-se
nos caminhos...
Rompem
espaços,
Quebram
preconceitos,
Atingem
o ápice.
Karolyne Gilberta.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Viajantes
Beijos: teus pequenos em meus grandes lábios.
Tua boca em meus meios... avança... minha metade.
Poesia do sexo é tua língua dentro de mim.
Carícias: tuas mãos silenciosas a me percorrer macias;
ligeiramente ágeis a me invadir e umedecer.
Delírio do corpo são teus dedos a me penetrar.
Vontades: sou toda.
Fantasias: transbordo.
Libido: transpiro.
Só assim respiro o ar que me roubas na loucura do êxtase.
Karolyne
Gilberta.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Uma história como outra qualquer
Por sua cara e jeito de mulher
madura, sempre acreditaram que era uma moça experiente desde nova, mesmo assim
só deu o primeiro beijo depois dos 14 anos (apesar de ter fingido por muito tempo que já tinha feito
aquilo antes várias e várias vezes). Não fazia questão que pensassem diferente.
Deixava que acreditassem naquilo que seus olhos queriam enxergar. Até se sentia
mais confortável para ser quem era assim.
Perdeu a virgindade com 18 anos e,
como toda moça “ingênua”, acreditou que aquele seria seu primeiro e último
homem. Achou aquela uma noite bonita, mas, com menos de dois meses passados
lembrava muito vagamente daquela experiência. Só se lembrava que envolvia
rosas, venda e luzes apagadas. Uma tentativa do primeiro namorado "sério" de ser romântico, ao
que parece.
Culpava-se por ele não conseguir
ficar de pau duro nas outras vezes que transaram. Achava que aquilo era fruto
de sua inexperiência... Vai ver que ela não sabia fazer as coisas que ele
precisava na cama. Chorava dias e noites por isso. E passou muito tempo nessa
angústia até que ele lhe contasse que a achava “tanta coisa” que não conseguia
ficar a vontade na cama com ela, e, diante da expectativa broxava antes mesmo
de começar. Chorou outras vezes mais. Era tão apaixonada por ele que aquele
ficou sendo um detalhe secundário até que as coisas se ajeitassem com o passar
do tempo. Confiava nisso com todas suas forças.
Com o tempo as coisas pareceram se ajeitar,
mas, tinha a sensação de que faltava algo em sua vida sexual, só não sabia o
que ainda. E assim carregou por anos esse relacionamento frustrado e confuso. Ia
ficando ali na esperança que um dia as coisas se ajeitassem... aquela esperança
que continuava perseguindo-a. Era triste, mas ao mesmo tempo reconfortante. Se não
tinha tudo que precisava ou desejava no relacionamento, tinha ao menos aquela
esperança de que as coisas se resolvessem um dia, mas ainda assim chorava. Era
choro escondido pelos cantos da casa da sogra ou mesmo no banheiro do quarto de
motel.
Não se reconhecia. Eram os ciúmes, a
instabilidade, a crueldade latente, o abandono que tinha cometido com os amigos
em nome desse relacionamento, as brigas, o mal costume de atingir o outro com
palavras duras... cruéis. De tantos desencontros, tanta frustração, decepção e
desamor chegou o dia que criou coragem e decidiu-se pela libertação: pôs fim ao
relacionamento doentio e foi viver a vida com tudo que tinha direito e vontade.
Sofreu, chorou mais, tentou voltar atrás, mas em pouco tempo entendeu que
aquilo era bom. Fazia-lhe bem poder estar longe do que lhe deixara doente.
Nesse processo de busca conheceu tantas
pessoas novas, reconquistou amizades perdidas a custa dessa “doença”,
estabeleceu laços com outro(a)s que nunca imaginou que conheceria, viajou para
muitos lugares, se permitiu ser livre, ser leve... estar solta. Descobriu que o
mundo tinha uma cor tão viva que nunca tinha sequer suposto antes. E aquelas cores
eram a coisa mais linda que já tinha visto. Viver era a coisa mais inebriante
que poderia experimentar. Era ao mesmo tempo doce, ácido, suave, inesperado e
intempestivo. Entendeu também que tinha que se descobrir ou redescobrir, não
sabia ao certo. Um processo que levaria tempo, mas que valeria cada segundo
gasto nessa busca interior. Mudou de cidade, foi morar só e se jogou com
vontade nas oportunidades. Foi então que descobriu o prazer do sexo. Nunca imaginou
que uma coisa não estivesse junto com a outra. Sexo sem prazer? Seria possível?
Tinha sido possível durante anos em sua vida. Triste constatação.
Uma pergunta passou a martelar sua
cabeça sem dar tréguas: como podia ter demorado tanto para viver o gozo em sua
máxima plenitude? Passeou por várias camas tentando descobrir aquilo e aquele
que lhe agradava. Como era bom se sentir... Sentir os prazeres do sexo... Ter
companheiros que apreciavam sua companhia e queriam descobrir consigo o
delicioso mundo do sexo com final feliz. Moldou seu caráter a partir de suas
experiências. Mudou o cabelo cor e tamanho. Ousou. Abandonou os falsos pudores
e moralismos. Sentiu falta de algumas
experiências, mas espera na certeza que tudo tem seu tempo.
Karolyne Gilberta.
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