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sábado, 1 de fevereiro de 2014

Dos dias confusos

Com a cabeça tão em tormenta que se não sangro poesia nas noites de insônia, morro devorada pelas palavras não escritas. Sei que de tanto ser eu mesma, hora dessas perigo ir e nunca mais voltar.
 
 
 
Karolyne Gilberta

sábado, 10 de novembro de 2012

Boceta de Veludo

Quando ela assentiu com os sinais de um corpo inflamado pelo desejo, deixou que a boca caminhasse lentamente pelo corpo dela.
Foi seguindo umedecendo o percurso com a língua sedenta.
Levantou-lhe os cabelos com as mãos firmes para que dessem passagem ao desejo de saboreá-la.
Caminhou pelo pescoço.
Deu voltas de uma extremidade a outra.
Depositou ali mordidas suaves... vagarosas.
A cada tremor do corpo dela, mais tinha vontade de fazê-la sucumbir de prazer.
Sussurrou-lhe aos ouvidos pequenas obscenidades.
Escorreu pelas costas levemente contorcidas os lábios macios.
Chegou à curva da cintura e virou-a de lado.
Permaneceu ali subindo e descendo aquele despenhadeiro que eram suas curvas.
Virou-a de frente e lambeu-lhe o umbigo.
Foi subindo e encontrou os seios intumescidos pela excitação, tal qual pequenas frutas maduras prontas para serem colhidas.
Beliscou-lhe os bicos com as pontas dos dentes.
Eles cresceram e escureceram mais.
Era como setas a apontar-lhe um caminho.
Arranhou-lhe levemente os pés dos seios.
Encarou-a fixamente com jeito de quem deseja devorar até a alma do outro...
e continuou descendo!!!
Chupou-lhe as coxas...
Passou os dedos entre elas como se escrevesse um caminho na pele...
Reteve-as entre as presas.
Passou a mão por baixo de seu corpo segurando-lhe a bunda fazendo com que se erguesse um pouco.
Puxou-a para si... Para perto de seus lábios.
Beijou-lhe repetidamente nas curvas da virilha.
Dobrou-lhe as pernas e colocou-as atrás de seu próprio pescoço.
Entrelaçaram-se.
Agarrou-lhe os pés com as mesmas mãos que outrora percorriam ansiosas seu relevo.
Permitiu que a língua percorresse toda a extensão de seu sexo.
Divertiu-se no clitóris entre lambidas rápidas e outras devagar.
Soprou-lhe as entranhas úmidas.
Mais mordidas, mais lambidas, mais sopros leves...
Afastou com os dedos a pele macia e deixou que sua língua a penetrasse.
Com todo o cuidado afagou-lhe o clitóris com os a parte interna dos lábios.
Fez uma pequena pressão.
Abriu espaço para que o dedo se aninhasse.
Onde o dedo fazia a festa: entrava e saía... onde a boca passeava: mordia e chupava.
Sentia contrações a envolver seu dedo.
Trouxe o segundo dedo para ser acariciado por aquela parede cheia de frestas.
Percebeu a pressão aumentar.
Deu-lhe os dedos para lamber para que sentisse toda a doçura que seu liquido possuía.
Voltou com seus lábios entre os lábios dela... e seus dedos invadindo-a mais uma vez.
Viu que o gozo estava perto.
Aumentou o ritmo dos movimentos.
Ela prendeu-lhe o rosto entre as coxas puxando com as mãos sua cabeça a implorar que não parasse.
Susteve a respiração.
Quando o orgasmo finalmente chegou, achou delicioso o gosto que saía dela.
Suas entranhas eram aquecedoras, macias, acolhedoras... tinha que dar-lhe um nome a altura.
Sua textura delicada... era como se as paredes da boceta dela fossem forradas de veludo.


Karolyne Gilberta.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Rosa Rubra

Com uma naturalidade que lhe é peculiar a rubra rosa se abre aos olhos dos homens e do mundo. Dá voltas e voltas em torno de suas próprias partes. Forma quase um labirinto ao redor de si. Pensa sempre que seu autoconhecimento é insuficiente. Uma enternecida inveterada pede abraços e retribui com vigor. Deixa-se ser agarrada ao mesmo tempo em que agarra e crava os dentes em quem se aconchega em suas dobras. Ela canta. Às vezes músicas ternas, quase cantigas de ninar, mas quando em fúria, canta músicas agressivas, músicas de libertação. Sibila de alegria a maior parte de seus dias. É uma dançarina também. Faz artes e artimanhas. Em suas danças, tem muita alegria em receber aqueles que convida para lhe fazerem par. Acredita que fala muito, mas quase sempre diz coisas impróprias, inadequadas. Quando úmida se contrai, fica frenética, tremula tal qual bandeira agitada pelo vento. Desesperada, procura em quem se agarrar. Nessas horas assume um cheiro meio amadeirado, outra dose doce também e abandona seu estado liquefeito tornando-se algo quase cremoso. Tão suave. Gosta de estar acompanhada. Deseja quase sempre assim estar. Já foi muito ferida e hoje é um tanto melancólica, mas mesmo assim não deixou que os olhos ficassem rasos. Só permite-se profundezas. Há dias que fica tão rubra que jorra sangue, meio que chorando por sua condição de estrada de entrada e saída do mundo.


Karolyne Gilberta
Texto inspirado em "Os monólogos da Vagina" de Eve Ensler.