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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Alvo, alvo, no alvo!

Encantei-me por um livro de capa branca
Aquela alvura me tomando os olhos, me roubando os gestos
Apenas algumas pequenas gotas de tinta cinza salpicando trechos insignificantes do papel
Vendei meus olhos, me joguei na estória
Caí de cara nas imagens que meus olhos não liam
Quis morar para sempre na infinitude daquele papel
Foi tudo tão rápido e instantâneo que nem tempo tive de relutar.
 
 
Karolyne Gilberta

Sem inicio, meio ou fim

Eu era uma saudade que latejava
Um poço fundo de sentimento que não secava
Era uma ponte-travessia que se estreitava
Era um rio-correnteza que não cansava
Era viagem, partida e abrigo na chegada
Eu era apenas um caminho
Eu nunca aportava


Karolyne Gilberta

Baiana legítima

Baiana legítima que sou
Não consigo me imaginar levando uma vida sem condimentos
Sem pimenta e sem dendê
Sem quintura e sem folia
Quadril inflamado gingando nas rimas...  ou não
Caindo nos cantos
Sambando nos becos
Cravando nas peles alheias o símbolo dos desejos


Karolyne Gilberta

Eu vi a lua brincando de se esconder

Eu vi a lua brincando de se esconder
Matreira por entre montanhas e enormes pedras
Seguia bravia de encontro ao amanhecer

Eu vi a lua brincando de se esconder
Num meio sorriso – sorriso do gato
Deixando os espectadores a se entorpecer
Eu vi a lua brincando de se esconder
Numa noite de muitas estrelas
E bichos cantantes que rasgavam o negro céu da noite e faziam o silêncio romper

Eu vi a lua brincando de se esconder
Com seu brilho incandescente
Menina sem rédeas, encantada com sua singeleza
Fazendo em suas longas tranças brancas da realidade eu me perder
 
 
 
Karolyne Gilberta

Dos dias em que sou a própria tempestade

No dia que nascera havia sol lá fora, mas chovia dentro de si.
Já passava do meio do dia e a luz era intensa lá fora.
Viera tomada por emoções que se desenvolveram enquanto ainda era feto crescendo no útero da mãe:
E elas sacudiam-na.
Desde o começo de sua eternidade, tinha um verdadeiro temporal em seu interior.
Em seus deságues veio primeiro a família,
esta que ocupava-lhe o íntimo e suas devoções iniciais.
Não era nem gente, mas sentia que era importante ocupar dos outros e de suas dores.
Depois vieram os(as) amigos(as) e roubaram-lhe a outra metade daquilo que era.
Agora já era preciso que se desdobrasse para dar conta de ser completa.
Por fim, foram chegando-lhe os amores e ela dividiu-se mais uma vez.
Agora já era três,
Mas ainda era uma.
Tudo a compunha.
Com o tempo dissolveu-se a distinção de quem era família, amigos(as), amores... e a tríade voltou a refazer-se numa coisa só.
Todos os dias vinha novamente a chuva,
às vezes, aparecia um arco-íris aqui ou acolá ao fim dos ventos, das nuvens e das águas que corriam.
Concluiu que aquilo nada mais era que o amor fazendo morada em seu corpo
e um medo imenso de um dia acordar e ter se ido todo esse amor de dentro de seu ser.
Medo de esvaziar-se.
De tanto sonhar intranquila,
tantos e tantos dias materializava a chuva que corria em seu estômago
e os dias, como aquele que acabara de nascer, amanheciam nublados e com torrentes d’água a desabar
do céu-azul-de-sua-boca
sobre a terra seca do sertão.


Karolyne Gilberta

Ainda chamo-te de meu

Ainda chamo-te de meu
Mesmo sabendo que cada um é uma estrada que, às vezes, encontra-se com outra nas bifurcações do caminho

Ainda chamo-te de meu
mesmo sabendo que sua estrada veio depois da minha ao mundo, encontrou outras tantas e viveu outras experiências tão díspares das minhas

Ainda chamo-te de meu
mesmo sabendo que minha estrada de tão torta mal encontra o caminho da tua na maioria dos dias

Ainda chamo-te de meu
mesmo sabendo que cada estrada pertence a si mesma e que quem caminha por elas não tem o direito de nada além de deixar marcas ou pegadas enquanto passeia

Ainda chamo-te de meu
mesmo sabendo que o aroma de água molhando a terra e os risos que espalho quando caminhamos um pelo outro não são suficientes e também carregam um outro lado de lágrimas e um punhado de dor quando a tempestade desagua

Ainda chamo-te de meu
por mero descuido (não por que lhe queira minha propriedade), talvez por acaso ou simplesmente para dizer-te que é muito bom quando nossas estradas se encontram quando em vez parece que de tão juntinho, mesmo sendo impossível, a gente acaba virando um caminho só.


Karolyne Gilberta

Suspensa

As lágrimas secaram de tanto precisarem escoar, mas o nó na garganta ainda não se desfez. As dúvidas são tantas e tamanhas. A dor me esmaga e não me deixa respirar. Tenho em meu peito os dissabores de um mundo em ruínas.  A gigante insegurança que me atinge e assola. A falta de fé naquilo que virá... ou não.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Uma noite de descanso em meio ao caos

Uma noite anestesiada pelas expectativas
Sorrisos largos e olhares cúmplices furtivamente trocados na mesa do bar
O som
A cor
Os aromas
As peles tornando-se cada vez mais febris
O abandono da companhia
O inventar das fantasias
O vento no rosto relembrando aventuras
A junção dos corpos revelando texturas
O despir
O devir
A intimidade rapidamente conquistada
Os dóceis corpos, os corpos doces, os corpos e os doces...espalhados sobre a cama
Manchas açucaradas pelo lençol
Subidas, descidas, investidas
Cabelos em rabo retorcidos pelas mãos viris
A surpresa da tamanha força contida nos gestos do outro
O braço que alcança a pele que anseia
Mãos e bocas afoitas desnudando o completo desconhecido
Depositando saliva
Transformando o corpo em alimento
A escuridão
O meio termo
Acendem-se as meias luzes
Assinam-se os termos da busca incessante do prazer
Sem descanso
Com desfrute
A garganta que se afeiçoa e adapta ao formato
A grossura
Ao tesão tamanho
A preocupação
O preservativo
A penetração
Os gozos tantos
A boca abocanhando os grossos lábios
A sucção
O prazer que liquido escorre entre as pernas... entre os poros
O orgasmo que num jato quente se confirma
A água esfriando a pele em brasa
Descanso
Olhares mansos
Palavras moles
A conversa fluindo com naturalidade diante dos corpos entrelaçados depois da saciedade alcançada
O sono
O vento nos rostos mais uma vez
O abraço
A despedida
Os bons sonhos pela réstia de manhã que displicente insistia em despontar
A necessidade do recordar e viver tudo aquilo outra vez.
 
 
Karolyne Gilberta

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Naquele beijo que você me deu

Quando seus olhos deslizaram pelos meus naquela noite bêbada e fria de nosso primeiro beijo torto, eu soube o quão inevitável seria o desfecho de nosso encontro de vontades.
 
 
Karolyne Gilberta
Me toma de assalto
É teu meu coração
Me ganha no ato
Segura firme minha mão
Me prende em teus braços
Me deixa prostrada de gozo em seu colchão


Karolyne Gilberta

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Imagens mentais

As lembranças inesquecíveis que ficaram não são só suas
Ainda recordo de nós dois abraçados no meio da rua
Em frente à praça, nos amassando contra o muro
Eu tateando por entre o zíper da calça seu membro duro
Sua mão em meus peitos a me apertar os bicos
Entre outras carícias, gemidos e suspiros
Nossa respiração ofegante e as tentativas frustradas de nos manter longe um do outro
Eu virada de costas e você se encaixando em meu dorso
As mãos que sôfregas investiam nos territórios um para o outro não mais proibidos
Mesmo em minha saia longa, que era mais um impeditivo
Realmente inacreditáveis são as imagens que também guardo do momento:
Seu cheiro me levando embora a sanidade. Suas palavras me trazendo entorpecimento.
Não bastasse a rua não tão deserta e toda a adrenalina do lugar impróprio
Cada aproximação das peles nos deixava menos sóbrios
Não apenas uma vez, mas ainda uma segunda
Era imprescindível não permitir que sua mão deixasse de apalpar minha bunda
Lutar contra os desejos e conter minha rubra rosa que de prazer se fazia para você toda molhada
Para que ela não me fugisse entre as pernas de tanto que latejava.
Suas entradas.... minhas bandeiras

Penetração seguida de penetração... n’um crescente e ascendente ambicionar ter-te dentro
Você, conhecedor dos vícios de minhas curvas, sempre caminhando em direção ao meu epicentro
Contra o muro mais próximo tentar me equilibrar
Para após cada orgasmo meu corpo de prazer não sucumbir e fraquejar
Tirar a calcinha encharcada e guardá-la num bolso da roupa
Antes de sussurrar em teu ouvido: “não sei se peço penetra-me ou me fode com força”
E no ápice do gozar sentir você me escorrendo perna abaixo
E com as mãos recolher o que de mais precioso jorra de você
Colocar sutilmente em minha língua e degustar o mais delicioso e puro líquido do prazer!!


Karolyne Gilberta


*Eu sou tão sortuda e tenho amig@s tão lind@s que um deles, o Dan Rocha, fez uma ilustração para o poeminha. É essa lindona que está aí.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Se mais valem as respostas...

Será que a gente se provoca através de palavras escritas
para que a chama não adormeça quando parece já esquecida?
Será que a gente se encontra em sonhos e pensamentos
para que a vida seja menos morna do que dia após dia ela se nos apresenta?
Será que são desejos reais ou apenas a vontade de que eles existam de fato
para que nossas ações que atingem diretamente os outros
e inconscientemente a nós não se tornem mais um fardo?
Ou será que a vida é curta para tantas perguntas complexas
e mais nos vale apenas gozar o resultado de todas elas?

Karolyne Gilberta

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Desejo pede voz

Deita assim
Quero derramar poesia em você
E beber
Cada gota dos teus gemidos
Teus seios pra mim
São cálices sagrados
Quero comer
Cada centímetro dos teus orgasmos

Hoje não quero teu silencioso desejo
Teus suspiros
Que melodiam os meus delírios

Hoje quero ver-te inteira
Voz inteira
Quero ouvir você
E o seu corpo
Me pedirem
Te enche a boca de água
E os olhos de vontade
E você ainda não fez



Quero que nossos exageros
Girem a terra mais rápido
Que assim que as nossas pernas
Se chocarem
Que se choquem
Os nossos melhores sons
Gravados no ar

Não conheço harmonia mais perfeita
Do que te ouvir gozar

Almi Junior

Elogio do Pecado ...


Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que goza

você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.

É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa

Atravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira, maior, mais larga
absolutamente poderosa.

Bruna Lombardi

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Verbos



Acostumada com fartura e abastança
Conjugava os verbos sempre no plural
Em seus amores tinha muitos amares
Ou era o inverso, não sabia ao certo.

Karolyne Gilberta.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Soul


Flores no cabelo
A alma lavada
Coração cheio de amores
Ela passa como quem nada teme
Bailando ao som de seus versinhos
Toda prosa e pomposa
Vento pelas ventas
Olhos fixos no horizonte
Coberta de cores
Cantarolando pequenas cantigas doces
Uma vida toda pela frente


Karolyne Gilberta.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Por ele

Venho abandonando a escrita.
Escrever agora me faz sentir o peso
... das coisas interrompidas...
mesmo com o adeus dado no último instante
com a quase certeza de um final próximo ou imediato
na despedida que nos atingiu de surpresa
das coisas idealizadas com todas as não-realizações
dos sentimentos que persistem, mesmo contra toda a luta para deixá-los ir
das nossas muitas lembranças... na sua mais absoluta visceralidade
dos beijos, abraços e poemas trocados
das noites de prazer compartilhadas
da vida que nunca foi junta, mas também nunca se separou.
Escrever é como olhar sem poder tocá-lo, porém desejando ardentemente isso!
E vê-lo da vitrine é muito pior do que enxergá-lo passando por minha janela.


Karolyne Gilberta

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Olhos nos olhos

Por nossos poros transpiram desejos.
Sua pele preta esconde meu refúgio.
Macia, úmida, perfumada.
Nela sacio minhas vontades de devorar teu corpo.
Teus pequenos cachos escondem meus dedos ávidos,
minhas mãos aflitas.
Te busco!
Vejo seu volume aumentar.
Minha ânsia por ele em minha boca cresce junto.
Abraço com os lábios teu membro rijo.
Comprimo e aqueço teu mastro entre língua e dentes.
Te cheiro, te sinto, te toco... te devoro!
Tu avanças com ele em minha garganta.
Afunda o máximo que consegues!
Estamos nus! Estamos nós!
Olhos nos olhos!
Pele na pele!
Corpos conectados!
Transcendência!
Sinto teu líquido morno e levemente adocicado jorrando garganta adentro.

Karolyne Gilberta

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

H. H.

Se todas as tuas noites fossem minhas
Eu te daria, Dionísio, a cada dia
Uma pequena caixa de palavras
Coisa que me foi dada, sigilosa

E com a dádiva nas mãos tu poderias
Compor incendiado a tua canção
E fazer de mim mesma, melodia.

Se todos os teus dias fossem meus
Eu te daria, Dionísio, a cada noite
O meu tempo lunar, transfigurado e rubro
E agudo se faria o gozo teu.

Hilda Hilst

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Um banho de prazer


A água que escorre sobre nossos corpos
Dilata meus poros para as vontades felinas:
Banhar-te com minha língua

Sua mão espalhando o sabonete por meu corpo
Atiça em mim o desejo de que venhas me dominar
Vou descendo sem pressa

Não resisto e logo me calo com seu falo em minha boca
Te encaro, mas permaneço muda
Fico planta com suas raízes em mim

Encostada contra a parede me entrego
Você me possui
Toda úmida me derreto

Sua respiração em meu cangote
Aos poucos me desfaço
Enlouqueço

Me abro e dou passagem
Afasto as pernas e deixo você entrar
Deflorada vem o arrepio

E enlevada sinto
Seu sêmen a escorrer dentro de mim


Karolyne Gilberta