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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sem inicio, meio ou fim

Eu era uma saudade que latejava
Um poço fundo de sentimento que não secava
Era uma ponte-travessia que se estreitava
Era um rio-correnteza que não cansava
Era viagem, partida e abrigo na chegada
Eu era apenas um caminho
Eu nunca aportava


Karolyne Gilberta

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Sertão/Ser só

Voltando para casa
pela estrada de galhos ressequidos
da janela do carro fitei o sol vermelho que encheu meus olhos
de saudades lacrimejei.
Foi como se minhas pupilas guardassem naquele momento único
toda a água que não tem caído sobre o sertão anos a fio.



Karolyne Gilberta

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Cada novo dia carrega um pouco de morte em suas horas

Foi uma noite difícil como há muito não vivia.
Acostumada com suas incertezas,
apesar de teimar em não desejá-las em minha vida,
soou surreal, até para mim, decidir abandoná-las.
Não tê-lo entre as mãos foi sempre uma de minhas maiores certezas,
mas só de imaginar não tê-lo de forma alguma no dia seguinte
fez meu coração bater fraco e o sangue esquecer o caminho.
As lágrimas retidas na retina repleta de ti
teimando em comprimir o peito e impedir a respiração.
Fiquei aqui estática tentando acreditar em mim
e não transformar essa em mais uma promessa de canto de gaveta.
Desatravessá-lo de minhas pálpebras para finalmente dormir
foi a busca vã na noite longa, escura e fria,
mas prevejo uma busca que há se perder nos dias...
nas idas sem vi(n)da do coração descompassado!


Karolyne Gilberta

Recomeço

Devolve minha pele desconhecedora de tuas carícias para que ela não arda sempre que ouvir o nome de alguém que seja homônimo teu.
Devolve minhas palavras para o tempo que meus poemas não falavam de ti e eu possuía vida para além da tua... para além de nós.
Devolve meus desejos antes de tua pele encontrar a minha para que eu não o ambicione todas as horas perdido entre meus braços.
Devolve meus segredos que te fiz guardião por querer-te demais para que minha história subsista sem a tua.
Devolve o sossego dos dias em que não te conhecia e não necessitava ouvir tua voz para que meus membros voltem a me pertencer.
Devolve minhas noites vazias de teus vestígios para que meus sonhos voltem a ser tranquilos de vontades que me negas pela distância que se encontra de mim.
Devolve, enfim, meus olhos, pois estes já não querem mais ver o mundo se nele, mesmo que vez por outra, na incerteza e na impossibilidade, não nos esbarramos para nos reconectar.

Meu frágil coração

De que adiantam as idas se nelas não vejo volta?
Para que servem as vontades crescentes de longe arremessados contra a porta?
O que faço com essa tanta ausência-presença que me atinge e deixa torta?
E essa experiência que me enche de vida, mas não por isso me deixa menos morta?
Canso de correr contra essa dor que me rasga e por dentro me corta!
Abandono as palavras e experiências tentando, sem sucesso, tirá-lo de meu pensamento.
Sei que isso é mais do que meu frágil coração suporta!


Karolyne Gilberta