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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Sertão/Ser só

Voltando para casa
pela estrada de galhos ressequidos
da janela do carro fitei o sol vermelho que encheu meus olhos
de saudades lacrimejei.
Foi como se minhas pupilas guardassem naquele momento único
toda a água que não tem caído sobre o sertão anos a fio.



Karolyne Gilberta

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Nosso cheiro

O cheiro que exalamos é o melhor cheiro do mundo.
Cheiro de nossa respiração e transpiração misturados um ao do outro,
De saliva espalhada pela pele,
De órgãos sexuais exalando excitação pelos poros,
Cheiro de vertigem durante os orgasmos,
De esperma lançado sobre o corpo,
Dentro do corpo,
Cheiro de bicho quando no cio.
É cheiro misto de doçura e selvageria.
De corpos que ardem... que queimam... corpos em brasa. 



Karolyne Gilberta.

Assim como quem nada quer

Andando displicentes pelas ruas a procura de diversão nos encontramos.
Depois de vários minutos de conversa me convida para finalmente conhecer sua casa.
Não que a casa seja longe, mas os minutos do percurso fazem o caminho parecer tão longo diante das necessidades do corpo.
O tesão nos domina e beijos e mais beijos vão se sucedendo.
Propostas sussurradas ao pé do ouvido vão surgindo.
Braços ávidos buscam meu corpo e encontram nele toda a energia necessária para seguirmos adiante.
Me segura o peito com uma mão, lança a boca sobre o outro.
Joga-me sobre o sofá e se atira sobre mim empurrando uma de minhas pernas para cima prendendo-a entre meu corpo e o dele.
Coloca os dedos sobre meu sexo e põe-se a alisá-lo até deixá-lo úmido.
Continua o trabalho com dentes, lábios e língua.
Segura minhas mãos com força e me olha fixamente nos olhos.
Vira-me de costas e me puxa de encontro ao seu corpo levemente suado.
Olho para o espelho e vejo minha bunda altiva dando-lhe sinal de passagem.
Começa a penetrar-me.
Excitada a ponto de quase explodir prendo-me em seus cabelos no auge do desespero.
Sobrevêm-me os gemidos, os gritos, o choro, a histeria que antecede o gozo.
Deliro. A cada estocada viajo no prazer provocado pelos movimentos hábeis.
O ritmo aumenta.
Nossos corpos respondem: ele ejacula e eu me desmancho.

Karolyne Gilberta.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Coisas que todos gostam ou deveriam experimentar



Um beijo no pé do ventre
Um sussurro ao pé do ouvido
Um cheiro no cangote
Uma lambida no umbigo

A mão entrelaçando-se com outra
Deixar brincando de ser par os dedos
Olhos mergulhados dentro dos olhos
Um cafuné bem caprichado nos cabelos

Uma encostada com jeito contra a parede
A língua correndo pelas costas nuas
Uma mordida de leve na bunda
Os mamilos atiçados pela ação da boca crua

Desfrutar da beleza das delícias da carne
Uma roçada de unhas na pele sedenta
Cravada de dentes no meio das pernas
Corpo contra corpo numa manhã fria e cinzenta


Karolyne Gilberta

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Dilacerante

Sentada no banco do carona pouso a mão em seu membro que aos poucos vai se fazendo notar.
Abro o zíper de sua calça e vou passando levemente o dedo em toda a extensão de seu mastro.
Quando noto a ânsia de meus lábios em seu pênis ficar num nível quase insuportável começo a lamber-lhe sem pressa.
Aumento o ritmo das lambidas e das chupadas, mas não deixo o gozo chegar.
Vou te torturando e me divertindo.

Quando nem eu mesma suporto mais, levanto minha saia, já sem calcinha, e me jogo em cima de ti. 

Vou certeira em teu pau enorme que entra fazendo estrago em minha buceta não completamente úmida.
Rasga minhas entranhas, mas me põe a gemer.
Com os joelhos apoiados em tuas coxas levanto e agacho meu quadril rebolando devagar.
Minha bunda devidamente assentada sobre teu colo.
A fricção de minha virilha contra teus pêlos e de minha bunda contra tuas bolas.
Pressiono meu corpo para baixo para que a penetração atinja a maior profundidade possível.
Tuas mãos empurrando meus ombros para que eu me afunde mais e mais.
Mantenho-me atenta a cada detalhe de nós.
Tua mão pressionando-me um seio e a boca a devorar o outro. Uma mordida voraz.
Balanço mais rápido a bunda... aumento o rebolado.
Você novamente me empurra para baixo... parece querer me partir ao meio.
Inclino para frente e abaixo o rabo definitivamente para que possamos juntos gozar.
Volto para meu assento completamente suada, e, através dos vidros embaçados noto que o sol já dá sinais que quer aparecer.

Karolyne Gilberta.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Palavras encantadas


Tentava falar sobre várias coisas. Amores, dinheiro, saúde, ciência, simplicidades, amenidades, [...] mas nunca conseguia se expressar do jeito ‘certo’.

Um belo dia descobriu que o que sabia mesmo e bem era falar de putaria.

Falar disso era como contar sua própria vida.

Para uma falante desbocada aquilo era simples, era quase nada.

Revelava sua alma em cada letra, em cada canto de sua escrita... tudo era máxima. Tudo era o máximo.

 Finalmente tinha descoberto sua finalidade

e sua salvação.

E o poder das palavras encantadas.


Karolyne Gilberta

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Mãos para que te quero

As mãos dando bobeira,
assim mesmo como quem nada quer,
passeiam pelo corpo da independente mulher.
Uma nos seios para incitar os instintos,
movimentar a libido.
Breve volteio na curva entre as coxas.
Vez ou outra uma passeada na barriga,
Logo mais o caminho certo é abaixo do umbigo...
Novamente nas curvas...
A calcinha puxada de lado
para facilitar o esforço dos trabalhadores ávidos.
Sorrateiros vão adentrando devagar.
Primeiro um, depois outro.
Ora em círculos, outras vezes num vai-e-vem.
Tudo, parte, só um pedaço.
A cada respiração um movimento diferente.
Arfando e aumentando o ritmo.
Confere o hálito no cheiro do tato.
Constata a doçura... aprecia a ‘quintura’.
Dedos úmidos, zonas úmidas... vistas turvas.
Bico dos seios duros.
Volta-se à introdução.
Não consegue nem deseja mais parar o trabalho das mãos.
O cérebro ‘abandona’ o corpo.
Não tem intenção nem condição de continuar em funcionamento.
Se agarra aos lençóis com a mão desocupada. Tenta aliviar a tensão.
Músculos retesados...
Contrações, espasmos, ejaculação.
Os pés se contorcem, o último suspiro é dado.
O orgasmo finalmente está consumado.




Karolyne Gilberta

domingo, 2 de setembro de 2012

Debaixo dos lençóis

Órgãos sexuais agitados se encontram.
Ficam confusos, pois tem penetras no meio da história.
Quantos seriam?
Entre cadeiras, sofás, colchões e lençóis.
Peitos, bucetas, paus e o caralho a quatro.
Saliva, suor, esperma... secreções... excreções.
Gemidos.
Gritos.
Gemidos cada vez mais aLTOS. Mais fortes.
Velas, chicotes, vendas, doces... delícias.
Tudo muito confuso; todos meio perdidos no deleite.
É tudo uma grande orgia. Uma PUTAlegria sem fim.
Moralismos deixados do lado de fora da porta.
Resultado: um prazer que nem se pode mensurar.



Karolyne Gilberta