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sábado, 1 de fevereiro de 2014

Chegada

Quando ela chega,
Rompante em meus pensamentos,
Desconheço meios e caminhos de sua presença
Mas ela se instala por dentro e provoca reações em meu corpo
Minha libido acende.
Homenageio-a e transcendo.
Invento caminhos em meu corpo e transformo
Minhas mãos nas tuas.
Imagino teus olhos me observando, e em transe,
Ofego e me esqueço de todo o resto
Réstia de prazer a me corroer.


Karolyne Gilberta

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Mulheres - por Bukowski

Tinha as minhas ideias sobre sexo. Andava teso e masturbava-me constantemente. Fazia amor com Lydia e quando chegava a casa de manhã masturbava-me. Pensar no sexo como coisa interdita lançava-me num estado de excitação próximo do delírio. Como um animal que submete o outro, lançando-o ao chão.
Quando me vinha tinha a sensação de o fazer sobre o rosto de tudo o que era decente, o branco esperma pingando sobre as cabeças e as almas dos meus pais já mortos. Se eu tivesse nascido mulher, seria certamente prostituta. Mas como nasci homem, desejava constantemente mulheres, e quanto mais decadentes, melhor. E contudo as mulheres -- as mulheres respeitáveis assustavam-me porque elas queriam apossar-se da alma e eu queria manter o que restava da minha. Eu desejava essencialmente prostitutas, mulheres decadentes, porque elas eram mortais, insensíveis e não pediam nada. Quando se iam embora, não perdíamos nada. Ao mesmo tempo desejava uma mulher doce e gentil, apesar do preço a pagar. De qualquer dos modos, eu estava perdido. Um homem forte conseguiria as duas coisas. Eu não era forte. Por
isso continuei a lutar com mulheres, com a ideia das mulheres.

Charles Bukowski
Trecho da obra Mulheres.

Mulheres - por Bukowski [...]

[...] tentaram chamar a sua atenção, mas ela caminhava ao meu lado, agarrando-me o braço. Há muito poucas mulheres bonitas que aceitam mostrar em público que pertencem a alguém. Tinha conhecido mulheres suficientes para perceber isto. Eu aceitava-as por aquilo que eram e o amor chegava rara e dificilmente. Quando aparecia, era habitualmente por razões erradas. Simplesmente porque as pessoas se cansam de recusar o amor e deixam-se ir porque precisam de ir para algum lugar. Depois, começam os problemas.

Charles Bukowski
Trecho da obra Mulheres.

Mulheres - por Bukowski ...

Por fim adormeci. Quando acordei, de manhã, Katherine estava sentada na borda da cama a escovar aqueles metros de cabelos ruivos. Os seus enormes olhos castanhos olharam para mim. «Olá Katherine, queres casar comigo?»
«Por favor, não peças isso. Não gosto disso.»
«A sério.»
«Oh, merda, Hank.»
«O quê?»
«Eu disse merda, e se continuas, apanho o primeiro avião.»
«OK.»
«Hank?»
«Sim?»
Olhei para ela. Continuava a escovar os cabelos. Os seus olhos castanhos olharam para mim, ela sorria-se. «É só sexo, Hank, é apenas sexol» Riu-se. Não era um riso sardónico, era um riso alegre. Ela escovava os cabelos, pus o meu braço em redor da sua cintura e pousei a cabeça na sua perna. Já não estava seguro de nada.

Charles Bukowski
Trecho da obra Mulheres.
Entrei para a cama. A pequena rapariga-mulher estava pronta. Puxei-a para cima de mim. A sorte estava de novo comigo, os deuses eram-me favoráveis. Os nossos beijos tornaram-se mais violentos. Pus a sua mão no meu caralho e puxei a sua camisa de noite para cima. Comecei a mexer-lhe na cona. Katherine com uma cona? O clitóris saiu e toquei-o doce e insistentemente. Por fim, montei-a. O meu caralho entrou até metade. Era muito estreita. Eu ia e vinha e depois empurrava. O resto do meu caralho escorregou. Glorioso. Ela arranhou-me. Eu mexia-me e ela arranhava-me mais. Tentava controlar-me. Parei de a comer e esperei que acalmasse. Beijei-a, entreabri-lhe os lábios, chupei-lhe o superior. Vi os seus cabelos espalhados na almofada. Depois renunciei a dar-lhe prazer e fodi-a simplesmente, fodia-a viciosamente. Era como um assassínio. Não me preocupei; o meu caralho estava louco. Todo aquele cabelo, o seu jovem e belo rosto. Era como violar a Virgem Maria. Vim-me. Vim-me dentro dela, agonizando, sentindo o meu esperma entrar no seu corpo, ela nada podia, e disparei o meu esperma ao mais fundo dos seus órgãos - corpo e alma - sem parar...

Charles Bukowski
Trecho da obra Mulheres.

quinta-feira, 12 de julho de 2012


Dee Dee encheu outro copo de vinho. Era um vinho óptimo. Eu gostava dela. Era bom ter um lugar para onde ir quando as coisas estavam mal. Lembrei-me das primeiras vezes em que as coisas iam mal e não tinha sítio para onde ir. Talvez isso me tenha feito bem. Dantes era assim. Mas agora não estava interessado no que era bom para mim. Estava sobretudo interessado em como me sentia e em como evitar sofrer quando as coisas corriam mal. Sobretudo como sentir-me bem de novo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Mulheres

Penso que encontrei Lydia Vance na minha primeira leitura de poesia. Foi numa livraria da Kenmore Avenue, The Drawbridge. Estava, mais uma vez, aterrorizado. Vaidoso, mas aterrorizado. Quando entrei só havia lugares em pé. Peter, que se ocupava da livraria e vivia com uma preta, tinha uma pilha de notas à sua frente. «Merda», pensei, «se eu conseguisse juntar sempre assim tantas, teria dinheiro suficiente para fazer outra viagem à índia!» Entrei e eles começaram a aplaudir. No que diz respeito à leitura de poesia, ia de facto ser de arromba. Eu li durante meia hora e fiz um intervalo. Ainda estava sóbrio e podia sentir no escuro os olhos presos em mim. Vieram algumas pessoas falar comigo. Depois, no momento em que eu estava mais livre, Lydia Vance aproximou-se. Eu bebia cerveja sentado a uma mesa. Ela pousou as duas mãos no rebordo da mesa, inclinou-se e olhou para mim. Tinha longos cabelos castanhos, na verdade muito compridos, um nariz proeminente e era estrábica. Mas desprendia vitalidade - sabia-se que ela estava ali. Eu sentia passarem vibrações entre nós. Algumas eram confusas e não muito boas, mas estavam ali. Ela olhou-me e eu devolvi-lhe o olhar. Lydia Vance usava um casaco de cowgirl em camurça, com uma franja à volta do pescoço. O seu peito era mesmo bom. Eu disselhe: «Gostaria de arrancar essa franja do seu casaco  podíamos começar por aí!». Lydia afastou-se. Não tinha pegado. Eu nunca sabia o que dizer às mulheres. Mas ela tinha cá um traseiro. O fundo das suas calças de ganga moldavam-no na perfeição, e eu continuava a fixá-lo enquanto ela se afastava.
Acabei a segunda parte da leitura e esqueci Lydia exactamente como me esquecia das mulheres com que me cruzava na rua. Recolhi o meu dinheiro, escrevi em alguns guardanapos, alguns bocados de papel e depois fui de carro para casa.
Nessa altura ainda passava noites a trabalhar no meu romance. Nunca começava a  trabalhar antes das 6 e 18 da tarde. Dantes, a essa hora, estava eu a carimbar e a selar no terminal dos Correios. Eram 6 horas da tarde quando Peter e Lydia Vance chegaram. Abri a porta. Peter disse: «Olha, Henry, olha o que eu te trouxe».
Lydia saltou para a mesa de café! As suas calças de ganga moldavam-na mais do que nunca. Ela sacudia para a esquerda e para a direita os seus longos cabelos castanhos. Era louca; era milagrosa. Pela primeira vez pus seriamente a hipótese de fazer amor com ela. Pôs-se a recitar poemas. Era muito mau. Peter tentou  para-la: «Não! Não! Nada de poesia rimada na casa de Henry Chinaski!».

«Deixa-a continuar, Peter!»


Eu queria olhar para as suas nádegas. Ela fazia trepidar a velha mesa de café. Depois dançou. Agitava os braços. A poesia era péssima, mas não o corpo nem a sua loucura.


Lydia saltou para o chão.


«Gostaste, Henry?»


«De quê?»


«Da poesia.»


«Não muito.»


Lydia ficou imóvel com os poemas na mão. Peter agarrou-a. «Vamos foder!», disse-lhe. «Anda, vamos foder!»


Ela repeliu-o.


«Está bem», disse Peter. «Se assim é, vou-me embora!» «Então vai. Eu tenho o meu carro», disse Lydia. «Posso ir para casa sozinha.»


Peter correu para a porta. Parou e voltou-se. «Está bem, Chinaski! Mas não te esqueças do que eu te trouxe!» Bateu com a porta e lá se foi. Lydia sentou-se no sofá, ao pé da porta. Eu estava sentado a cerca de trinta centímetros dela. Olhei-a. Ela estava maravilhosa. Eu tinha medo. Estendi o braço para tocar os seus longos cabelos. O seu cabelo era mágico. Retirei a mão. «Todos esses cabelos são mesmo teus?»,  perguntei-lhe. Eu sabia que eram. «Sim», disse ela, «são meus.» Pus a mão sob o seu queixo, e muito desajeitadamente tentei virar a sua cara para a minha. Nestas situações nunca me sentia seguro. Beijei-a ao de leve.

Lydia saltou. «Tenho de me ir embora. Estou a pagar a uma baby sitter.»


«Ouve», disse eu, «fica. Pagarei eu. Fica mais um pouco.» «Não, não posso. Tenho que me ir embora.» Dirigiu-se para a porta. Eu segui-a. Abriu a porta. Depois voltou-se. Pela última vez estendi-lhe o braço. Ela ergueu o seu rosto e deu-me um beijo fugaz. Em seguida afastou-se e depôs-me na mão algumas folhas dactilografadas. A porta fechou-se. Sentei-me no sofá com as folhas na mão e ouvi o seu carro arrancar.


Charles Bukowiski.