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segunda-feira, 10 de maio de 2010
O Bibelot
De resto, com aquela entrada silenciosa, clara e respeitável, perdia-se logo a idéia popular da loucura; o escarcéu, os trejeitos, as fúrias, o entrechoque de tolices ditas aqui e ali.
Não havia nada disso; era uma calma, um silêncio, uma ordem perfeitamente naturais. No fim, porém, quando se examinavam bem, na sala das visitas, aquelas faces transtornadas, aqueles aresaparvalhados, alguns idiotas e sem expressão, outros como alheados e mergulhados em um sonho íntimo sem fim, e via-se também a excitação de uns, mais viva em face à atonia de outros, é que se sentia bem o horror da loucura, o angustioso mistério que ela encerra, feito não sei de que inexplicável fuga do espírito daquilo que se supõe o real, para se apossar e viver das aparências das coisas ou de outras aparências das mesmas.
Quem uma vez esteve diante deste enigma indecifrável da nossa própria natureza, fica amedrontado, sentindo que o gérmen daquilo está depositado em nós e que por qualquer coisa ele nos invade, nostoma, nos esmaga e nos sepulta numa desesperadora compreensão inversa e absurda de nós mesmos, dos outros e do mundo. Cada louco traz em si o seu mundo e para ele não há mais semelhantes: o que foi antes da loucura é outro muito outro do que ele vem a ser após.
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Triste Fim de Policarpo Quaresma
O consolo dos diferentes
- O major, hoje, parece ter uma ideia, um pensamento muito forte.
- Tenho filho, não de hoje, mas de há muito tempo.
- É bom pensar, sonhar consola.
- Consola, talvez: mas faz-nos também diferentes dos outros, cava abismos entre os homens...
Triste fim de Policarpo Quaresma.
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