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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Conexão

Quando lhe vi transcendendo agarrado em meus seios, náufrago, olhos perdidos numa outra realidade de um êxtase profundo, febril, ofegando entre gemidos e sussurros, em delírio, quis retê-lo para sempre dentro de mim. Minhas retinas fizeram o que puderam e desde aqueles minutos fundamentais, tenho-te em minha mente de um jeito selvagem daquele instante para a eternidade. De meu corpo, tua morada, te senti por inteiro, te enxerguei pelo avesso, sem reservas, sem ressalvas, atravessando a curta linha que separa a razão dos quereres, meu menino vadio encontrando o caminho, mesmo ainda perdido em meus labirintos. Atenta ao pulsar de teu coração em disparada, quase pude ouvi-lo entre um batimento e outro, a chamar em código meu nome. Corpos desfalecidos, corações caminhando num mesmo compasso 'disritmado'. Conexão restabelecida, entendi enfim, que era real nosso pertencimento, apesar de todas as palavras que porventura ainda tivéssemos por dizer.




Karolyne Gilberta

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Naquele beijo que você me deu

Quando seus olhos deslizaram pelos meus naquela noite bêbada e fria de nosso primeiro beijo torto, eu soube o quão inevitável seria o desfecho de nosso encontro de vontades.
 
 
Karolyne Gilberta
Me toma de assalto
É teu meu coração
Me ganha no ato
Segura firme minha mão
Me prende em teus braços
Me deixa prostrada de gozo em seu colchão


Karolyne Gilberta

Enamorada

Quero morar em seu corpo
Como uma naufraga perdida na ilha que é você
Penetrar em seus poros
Como aquela que encontra caminhos para se abrigar da luz intensa e que cega
Beber seus líquidos
Com a sede de quem fica um dia todo debaixo do sol
Te devorar inteiro
Dessa fome que me fustiga dia após dia, noite após noite
Cravar anseios em seus músculos
Para tirar aos poucos o peso de te ter entranhado nos meus



Karolyne Gilberta

sábado, 1 de fevereiro de 2014

É nu meu coração cru

Incoerência
Aconchego
Paixão
Desejos
Libido
Vulcão
Insanidade
Ternura
Prisão
Excessos
Fogo
Ambição
Saudade
Vexames
Solidão
Abraços
Barulho
Alucinação
Correnteza
Loucura
Confusão
Medos tolos
Coragens absurdas
Metade me doando inteira, a outra metade dizendo não
Peito aberto
Riso frouxo
Abertura de caminhos em meio à escuridão
Escândalo
Liberdade
Inquietação
Batom vermelho
Sonhos intranquilos
E de muito amar, nem sei mais o que me dá-ói no coração
 
 
Karolyne Gilberta

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Ele
vício
Eu
mãos atadas em queda livre
rumo ao precipício
 
 
 
Karolyne Gilberta

Pertencimento

Aquele que me revira a cabeça e de dentro dela não sai
Aquele que me agita as entranhas quando repousa os olhos nos meus
Aquele que me assanha a libido nos momentos em que passeia por meu corpo
Aquele que me faz suspirar em todos os momentos que me despe não só a pele, mas também a alma
Aquele que me arranca os pudores quando sussurra palavras obscenas em meus ouvidos
Aquele que me livra dos medos daquilo que poderá ou não um dia vir a ser...
de todas e tantas incertezas
Aquele que me desvenda e sabe sobre minhas vontades tanto quanto ou mais que eu....
Em tudo que faço encontro-o.
Recebo-o sempre caminhando em minha direção, ainda que na contramão.
Onde um está o outro também se faz presente pelos pensamentos que se procuram para se completar
não sei se por obra do destino, do acaso ou das vontades...
sei apenas que cada dia mais unidos estamos
Pelos sentimentos e pelos desejos da carne!



Karolyne Gilberta

Nó(s)

Aquilo que aperta
Aquilo que é nó
Uma hora do peito cessa
Quem sabe vira pó



Karolyne Gilberta

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Ejacoração

Quando tua ausência se multiplica em dias
eu me divido em saudades
consciente ou não
e de resto sobram poemas

quando a vida devolve oficialmente tua presença
o coração dá voltas
e dispara ejaculando promessas de amor



(Jamu Minka - CN 5, p.32)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O fardo dos dias...

E haveria punição maior para ela que carregar durante toda sua vida o fardo de ser quem era?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Oscar Wilde [8]


"Dorian, não se iluda. A vida não é regida pela vontade
ou pela intenção. A vida é uma questão de nervos, e fibras, e
células que se formam lentamente, e onde o pensamento se
oculta e a paixão constrói os seus sonhos. Você pode
imaginar-se seguro, e considerar-se forte. Mas a tonalidade
ocasional de um quarto ou de um céu matutino, um certo perfume
de que um dia gostou e que traz consigo subtis recordações, um
verso de um poema esquecido que reencontrou, a cadência de uma
música que deixou de tocar... são essas as coisas, Dorian, de
que dependem as nossas vidas."

O Retrato de Dorian Gray




Estamos irremediavelmente presos ao passado
Que será feito de nós sem as lembranças que nos acompanham?
Que seremos nós sem arrastar os fantasmas que nos dão vida e motivo para não soltarmos as tábuas que nos empurram para o fundo do oceano?
Se nos tiram os grilhões que nos prendem ao passado que motivo teremos para lamentar ou nos deliciar?
Viver realmente é arte e ofício para poucos...talvez para os fortes...talvez para os bobos.

Karolyne Gilberta

sábado, 10 de abril de 2010

Em intesidade

Noite com direito a incenso exalando fumaça em cima do criado-mudo, luz de pequenas velas espalhadas pelo quarto e deitar mais cedo que o habitual. Dormir não dormiria prontamente, mas, permitira-se deitar antes do horário rotineiro para dedicar-se a um suposto processo criativo.

Poder-se-ia dizer que estava mais preguiçosa que o corriqueiro, mas era uma preguiça diferente. Pensava muito, lia muito, ouvia muitas músicas, buscava novidades, mas, não conseguia sair do estado de letargia que lhe tinha apunhalado a fortes golpes o espírito.

Não tinha a mesma vontade de sempre de sair, ver pessoas, conversar (e com toda certeza essa era uma das coisas que mais gostava de fazer). Porém, se conhecia a ponto de saber que aquilo não era um estado depressivo, tampouco TPM. Era um estado novo, e como era de costume estava mergulhando naquelas novidades.


INTENSIDADE: talvez aquela palavra definisse bem sua vida. E não seria diferente com aquele novo estado de espírito.

Esperava ao menos que ao final de tudo não houvesse pedaços de si espalhados, ou quem sabe na verdade ansiasse por isso com a mesma sofreguidão do ar que respirava. Sentia necessidade de reconstruir-se. Queria ser outra e não mais aquela. Aquela que enxergava, mas, não reconhecia!

 Karolyne Gilberta.

terça-feira, 16 de março de 2010

Excessos

Ah!,
Eu não  quero a pequenez das coisas mal vividas,mal  acabadas.
Quero a plenitude com direito a todos seus excessos!
Quero o romper do dia com todos seus encantos!
Quero  tudo àquilo que me queima e absorve...
Quero o todo em grandes quantidades!

Karolyne Gilberta.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

INdiferença

Ela gastava os dias e as horas pensando amenidades/desimportâncias. Sabia que isso não fazia diferença para o mundo, mas, quem se importava?
Aquilo também não fazia diferença para ela...



Texto escrito em 21.01.2010

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Um querer sem fim

Gosto de vermelho, rosa e tons de lilás, mas, ainda prefiro o preto.
Gosto de cheiro de flor de laranjeira, de frutas e de leite, mas, ainda prefiro o cheiro que emana do corpo daqueles que amo.
Gosto do silêncio e do frescor da madrugada, principalmente em noites de chuva.
Gosto de conversar, falar até a exaustão confidenciando segredos aos que confio.
Gosto de abraços, beijos, afeto e muito carinho.
Gosto de ser solícita, companheira e leal, mas, posso ser exatamente o oposto quando necessário.
Na verdade eu não gosto, eu não sei gostar. Eu só sei querer...

Karolyne Gilberta.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Detalhes nada pequenos

Nossos sorrisos perdidos na imensidão do instante.
Nossas respirações suspensas no delírio do momento.
Nossos corpos agarrados na necessidade de nos pertencermos.
E o curso da vida seguindo freneticamente, ecoando e respingando em nós.
Perguntava-me até onde...

Te aguardando com a impaciência de uma criança que tem sede e fome.
Fazendo barulho, gritando silenciosamente  ao mundo, mas, ele não ouve.
Não! E nem tem porque ouvir.
Não ouve minha súplica desesperada clamando por teu cheiro, por teu toque, por teus carinhos.
Por você em mim!
E muitas vezes dói....dói mais do que se supõe, do que se dispõe, do que a própria vida impõe!

Essas coisas de paixão!
Que machucam... amedrontam... afugentam...
Eu sempre tão  decidida, tão resolvida.
Nessas horas, NÃO.
Tudo desperdiçado.
Tanta volúpia e firmeza.
Eu tão despedaçada.

O mundo não é justo!
Que dirá o amor então?!
Bela peça esta!
E terminou tão desesperadoramente como começou....

Karolyne Gilberta.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Conto breve



Quatro mulheres dividindo uma mesa de bar.
Exceto um drink para uma delas, copos cheios de água de coco.
Três falando desenfreadamente sobre seus problemas e dramas, sobre as "agruras" de ser mulher.
Uma só observando as três falarem ao mesmo tempo e não prestarem atenção ao que as outras falavam.
Cansada de tanto barulho decidiu-se pela conta e volta para o silêncio do lar.
Descobriu que nem mesmo os laços sanguíneos conseguem fazer surgir laços de solidariedade e interesse pelos problemas do alheio quando se está preocupada ao extremo com o próprio umbigo.
Começou a pensar se agia da mesma forma...não obtendo resposta foi dormir na tentativa de afugentar os maus pensamentos.




Karolyne Gilberta.