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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sobre um passado presente

Quando leio os poemas que fiz para você
Agora assim distante no tempo do “nós” me pergunto
Se foi isso tudo tão tanto
Se valeu a pena o suor, o sangue, as lágrimas
De coração magoado, respiração suspensa
Observo nós dois pelos cantos das frestas por onde já não entra quase mais sol
Antes quando éramos festa e comemoração
Peito aberto para o que pintasse e desse
Não tínhamos essa agonia, mas só a urgência de estarmos nós, nus, sós
Passou tanta água debaixo de nossas pontes que a fortaleza que guardava a pureza do sentimento grande deixou umas muitas pedras rolando morro abaixo
Mortalha de uma história torta hoje meio estragada e um tanto melancólica
O dito na raiva, na pressa, no instinto ainda pesa e dói feito a navalha quando atinge a carne
Nesse instante tudo é passado
Muita coisa agora que é só poeira úmida incrustada nas fibras dos nós não desatados
Poeira engordurada que só com muita dificuldade se dissolve
Sujeira que de tão grudada demora uma outra vida inteira para limpar.

Karolyne Gilberta

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Essa tantas

Sempre fui essa tantas
Excessos, viagens e vertigens
Tudo ardendo feito lava
Recitando promessas que faço, sabendo não ser capaz de cumpri-las
Me d-escrevo nesse momento para não ser sufocada pelos pensamentos desesperados.
Pensamentos esses tão iguais a mim:
correnteza destruindo as margens, ventania derrubando árvores.
 
 
Karolyne Gilberta

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Oscar Wilde [8]


"Dorian, não se iluda. A vida não é regida pela vontade
ou pela intenção. A vida é uma questão de nervos, e fibras, e
células que se formam lentamente, e onde o pensamento se
oculta e a paixão constrói os seus sonhos. Você pode
imaginar-se seguro, e considerar-se forte. Mas a tonalidade
ocasional de um quarto ou de um céu matutino, um certo perfume
de que um dia gostou e que traz consigo subtis recordações, um
verso de um poema esquecido que reencontrou, a cadência de uma
música que deixou de tocar... são essas as coisas, Dorian, de
que dependem as nossas vidas."

O Retrato de Dorian Gray




Estamos irremediavelmente presos ao passado
Que será feito de nós sem as lembranças que nos acompanham?
Que seremos nós sem arrastar os fantasmas que nos dão vida e motivo para não soltarmos as tábuas que nos empurram para o fundo do oceano?
Se nos tiram os grilhões que nos prendem ao passado que motivo teremos para lamentar ou nos deliciar?
Viver realmente é arte e ofício para poucos...talvez para os fortes...talvez para os bobos.

Karolyne Gilberta