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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Sonhei com teu membro rijo



Sonhei com teu membro rijo retido entre meus lábios
Abrindo passagem por minha língua sedenta e dentes famintos
Deixei que fosse entrando sempre mais fundo
Você segurando para isso minha cabeça entre suas mãos
Senti suas bolas meu queixo roçando
Delirava no teu alternar das estocadas dum ritmo rápido para o lento
(e vice-versa)
Consumou-se a festa do gozo entre dois corpos sedentos
Sorvi gota por gota
Alimentei-me até fartar
Acordei ofegante com teu gosto ainda em meu paladar



Karolyne Gilberta

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Chegada

Quando ela chega,
Rompante em meus pensamentos,
Desconheço meios e caminhos de sua presença
Mas ela se instala por dentro e provoca reações em meu corpo
Minha libido acende.
Homenageio-a e transcendo.
Invento caminhos em meu corpo e transformo
Minhas mãos nas tuas.
Imagino teus olhos me observando, e em transe,
Ofego e me esqueço de todo o resto
Réstia de prazer a me corroer.


Karolyne Gilberta

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Nosso cheiro

O cheiro que exalamos é o melhor cheiro do mundo.
Cheiro de nossa respiração e transpiração misturados um ao do outro,
De saliva espalhada pela pele,
De órgãos sexuais exalando excitação pelos poros,
Cheiro de vertigem durante os orgasmos,
De esperma lançado sobre o corpo,
Dentro do corpo,
Cheiro de bicho quando no cio.
É cheiro misto de doçura e selvageria.
De corpos que ardem... que queimam... corpos em brasa. 



Karolyne Gilberta.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Era uma vez um nobre rapaz...

Era uma vez um menino franzino
assim
Todo tímido e desconfiado
assim
Tinha um coração dolorido e arredio
assim
Era bom, mas não queria se mostrar
assim
Muitas decepções já tinha vivido
assim
De tanto lhe dizerem que ele não era capaz,
desacreditava de seu potencial
Encontrava-se perdido
assim
Seu corpo miúdo, sua mente cheia de boas ideias próprias, seu coração imenso e maltratado...
Aquilo era tão assim em sua vida que ele olhou para dentro e começou a construir uma fortaleza para se esconder.
Guardava olhos tristes
Andava cabisbaixo
Não via no mundo a beleza e as cores que o mesmo possuía.
Mas um dia aquele garoto conheceu uma borboleta
Uma borboleta com cheiro de flor
Ela era uma garota cheia de vida que tocou seu coração
O garoto, agora não mais solitário, passou a andar por outros caminhos
Começou a escrever poemas felizes
Saiu de dentro da fortaleza que vinha morando
Falava de suas alegrias, que já eram representativas, e de seus dissabores também,
mas deles falava sem mágoa, sem tanto rancor
Ficou forte e corajoso
Ganhou o mundo e
dia após dia
Foi afugentando os medos e matando os monstros que habitavam seu ser
Caminhava por uma estrada completamente diferente
Na verdade a estrada era a mesma, o olhar é que era outro
Finalmente encontrara o caminho que o levaria de volta ao encontro da felicidade.


Karolyne Gilberta
Poema/conto escrito para meu grande amigo Icaro Simões.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

De como me sinto quando você reaparece para mim


Quando finalmente o telefone gemeu com a chegada da mensagem avisando-me de sua procura por mim, meus pés voltaram ao chão. Na indecisão da resposta ainda fiz um ‘quero sem querer’ internamente para não criar muitas expectativas sobre aquilo. Fingi não dar importância, mas no fundo exultava. Ter uma quase certeza do reencontro era mais importante que todo o resto, talvez o instante significasse mais que a própria vida naqueles minutos.



Karolyne Gilberta

Como dois animais

Depois dos anseios iniciais, o primeiro beijo tímido.
Acompanhado dele vieram tantos outros depois.
Mas, muito maior que isso foi a necessidade de te levar para a cama.
Antes mesmo que ‘tudo’ acabasse sair te arrastando apressada.
O importante era não ter testemunhas.
E foi aí que senti novamente tua língua em minha boca.
Quando eu mais ansiava, ela alcançou meu pescoço.
Teus braços a me aconchegar me chamando cada vez mais para perto de ti.
Senti-me ‘dentro’.
Uma rigidez me livrando do mundo ‘real’: era teu sexo me fazendo leve compressão através das roupas.
Fomos abandonado-as aos poucos... ou será que a urgência falou mais alto?
Estava tão concentrada em usufruir de tudo que não consigo me lembrar com muita certeza.
Aproveitamos naqueles instantes cada espaço de nós.
Deleitei-me olhando parte por parte de seu corpo.
Minhas mãos embrenhadas em seus cachos me dando equilíbrio quando montada em você.
Uma trilha sonora de fazer inveja a qualquer filme erótico e a vida cotidiana de muitos.
Foi uma noite com chuva, blues e não esperava menos que muito sexo.
Como pode alguém ouvir durante uma noite inteira blues e não desejar toda a “foda que houver nessa vida”?
Não me lembro de ter aproveitado tanto um momento assim antes.
Mesmo o sono não deu conta de nos incomodar!
Não sei se você diria o mesmo quando o cansaço começou a aparecer, mas fiquei muito feliz me mantendo acordada para aproveitar tudo. Absolutamente tudo!
Era preciso saciar nossa fome de prazer... e a minha era grande.
Sussurros, beijos furtivos, gemidos, violentas carícias, afagos...
Cada tapa um gemido mais alto... um urro de felicidade.
Perdi completamente a compostura, se é que em se tratando de sexo existe alguma possível!
Acho que gritei alucinadamente.
 Chupar você e ver seu membro se enrijecendo,
Vê-lo prender a respiração a cada aproximação de meus lábios,
De meus dentes,
De minha língua.
Ouvir teus gemidos baixinhos e depois descontrolados.
Meu nome docemente pronunciado em teus devaneios nos orgasmos.
Cada penetração era como se nos atracássemos,
Lançássemo-nos um ao outro como bichos no cio.
Conectamo-nos muito além do que a pele poderia prever.
Fiquei extasiada e cada vez mais queria repetir a dose...
E provar mais uma vez ainda...
Foi gozo após gozo.
Ondas de prazer que me invadiam sem parar.
Senti-me completa.
Absolutamente preenchida!
Sua boca me sugando... enxugando para cada vez me deixar mais molhada entre as pernas.
Seus dedos dentro de mim vinham misturando prazer e dor...
Faziam-me pulsar... latejar de tanto tesão.
Teu pau sempre semi ou absolutamente rijo e eu me perguntando como aquilo tudo era possível.
Repetir todas aquelas vezes cada passo,
Começar tudo outra vez,
Desejar que toda aquela delícia nunca tivesse fim.
Poderia ter ficado ali deitada gozando minha vida inteira.
Tanto que nos mordemos,
Tanto que nos beijamos,
Tudo que nos permitimos,
Tudo que nos deixamos pertencer a nós mesmos e ao momento.
Seus beijos que me encontravam desprevenida entre cada cochilo,
Seu olhar que parecia sorrir para mim cada vez que encontrava o meu,
Cada provocação ao corpo adormecido do outro,
Cada penetração,
Cada ejaculação nas partes previstas e imprevistas...
Tudo compunha a verdadeira festa dos prazeres... da entrega.
E foi essa festa que fez com que os segredos de nossos corpos fossem se desfazendo ao contato um do outro e deixassem que a noite virasse dia sem que nos apercebêssemos disso.

Karolyne Gilberta.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Rosa Rubra

Com uma naturalidade que lhe é peculiar a rubra rosa se abre aos olhos dos homens e do mundo. Dá voltas e voltas em torno de suas próprias partes. Forma quase um labirinto ao redor de si. Pensa sempre que seu autoconhecimento é insuficiente. Uma enternecida inveterada pede abraços e retribui com vigor. Deixa-se ser agarrada ao mesmo tempo em que agarra e crava os dentes em quem se aconchega em suas dobras. Ela canta. Às vezes músicas ternas, quase cantigas de ninar, mas quando em fúria, canta músicas agressivas, músicas de libertação. Sibila de alegria a maior parte de seus dias. É uma dançarina também. Faz artes e artimanhas. Em suas danças, tem muita alegria em receber aqueles que convida para lhe fazerem par. Acredita que fala muito, mas quase sempre diz coisas impróprias, inadequadas. Quando úmida se contrai, fica frenética, tremula tal qual bandeira agitada pelo vento. Desesperada, procura em quem se agarrar. Nessas horas assume um cheiro meio amadeirado, outra dose doce também e abandona seu estado liquefeito tornando-se algo quase cremoso. Tão suave. Gosta de estar acompanhada. Deseja quase sempre assim estar. Já foi muito ferida e hoje é um tanto melancólica, mas mesmo assim não deixou que os olhos ficassem rasos. Só permite-se profundezas. Há dias que fica tão rubra que jorra sangue, meio que chorando por sua condição de estrada de entrada e saída do mundo.


Karolyne Gilberta
Texto inspirado em "Os monólogos da Vagina" de Eve Ensler. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Nossos dias



Ele me põe a mesa,
Me faz bebida e comida.
Fico criança e faminta.
Me denga e eu me derreto.
Me vira do avesso e me deixa molhada.
Preenche minha cama logo de cara.
Vem achando brechas em meu coração,
Transforma tudo por onde passa.
Consegue deixar até o sexo engraçado,
Os momentos partilhados fora da cama também.
Ele traz vida aos meus passos,
Desejo de planos em cumplicidade ao meu futuro,
Chama-me de princesa... me desmancha.
Tem sido luz em meus dias.
E o desejo que essa história não termine cedo...
quem sabe talvez, que não termine nunca.

Karolyne Gilberta

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Por sua conta

Dominada, contaminada, arrebatada:
Fiquei assim por sua conta.
Querendo estar em seus lençóis,
Aconchegada em teu peito,
Dona de tua cabeça,
Refém de teu corpo,
Resposta de teus instintos,
Personagem de teus sonhos,
Abrigo de teus silêncios,
Embriagada por teu cheiro, por teu gosto,
Apoderada de teu cio,
Presença em seu adormecer e despertar,
Ninho em teus braços,
Repouso de teus abraços,
Companhia de teu caminhar,
Parte de tuas histórias,
Refúgio para tuas inquietações,
Primavera e verão de teus dias,
Preenchimento de teus espaços.
Tão tanto, tão parte, toda assim... por tua conta.


Karolyne Gilberta

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Incapaz, apática, perdida


Mais um homem passa por minha cama. Já perdi a conta de quantos foram durante esses anos ao todo, mas isso nem importa nesse momento. Quando se escolhe aquele que se quer ter várias, talvez todas, as noites a seu lado faz com que os outros sejam meros figurantes na estrada da sua vida. O orgasmo dos fins de semana passa a ser só mais um detalhe que passa despercebido quando tudo o mais está em jogo. Não queria ter essas vontades de estar contigo, te desejar em minha cama, em meu colo, me fazendo companhia, sendo meu parceiro... essas coisas tão simples ao mesmo tempo que difíceis. Não queria te ter em meus pensamentos, em meus sonhos, em minhas lembranças... te carregar em mim tem sido um peso difícil de suportar. Tem sido difícil porque teus silêncios são grandes, complexos, confusos... tua fala é pouca e nem TE convence. Sua falta de rumo me incomoda e me fere. Me deixa de mãos atadas. Acabo ficando perdida também. Aí tomo mil decisões e toda vez que penso em colocá-las em prática você reaparece e me rouba outra vez minha paz. Me faz desistir de tudo só para te ter mais perto de mim, mesmo que distante. Virou um vício. Uma necessidade. Mas nem só de sucumbir às vontades pode viver uma mulher. Talvez seja chegada a hora de simplesmente te deixar ir e permitir que me deixes ir também.

Karolyne Gilberta.