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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Como eu podia ser assim tão transparente para ele quando, pelo menos em cinqüenta por cento das vezes, não fazia a menor idéia do que estaria passando pela sua cabeça? E era eu que ia ao colégio. Era eu que sabia ler e escrever. Era eu o inteligente. Hassan não era capaz de ler nem
um livro de primeira série, mas podia me ler com a maior facilidade. Era um tanto perturbador, mas também um pouco reconfortante ter alguém que sempre sabia do que você estava precisando.
Não trocamos uma palavra; não porque não tenhamos nada a dizer, mas porque não precisamos dizer nada - é assim que acontece com as pessoas para quem a outra é a lembrança mais remota; com pessoas que mamaram do mesmo leite.

Reflexo dos outros

Adoraria não ter começado aquela conversa.Dei um sorriso forçado.

- Não seja idiota,Hassan. Você sabe muito bem que eu não faria isso!

Ele também sorriu. Só que o dele não parecia forçado.

- Eu sei - disse.

E esse é o problema das pessoas que são sinceras: acham que todo mundo também é.


O caçador de Pipas.


Tem maior verdade que isso?
Ingênuidade:me sinto sempre tão assim!
=/