segunda-feira, 10 de junho de 2013

E por que haverias de querer minha alma na tua cama?

E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo.
Obriga-me.

Hilda Hilst

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Tanta tentação

Ele me tenta
O tempo todo
Já nem sei o que faço
Tão tentada que vivo
De cair de jeito
Em sua conversa fiada
Cantada em meus ouvidos

Quem olha assim
Pensa que nem desconfio
Que futuro não há em suas propostas
Mesmo vendo tudo ainda encaro o desafio

Pois esqueço que existe um tudo isso
Quando sinto seus lábios macios
Colados em minha nuca
Sua língua voraz devassando minha boca
Seus xêru’s mandados e dados
Que minha libido aguça

Quando lembro seu jeito vadio
Que foi o que mais me chamou a atenção
Tudo o mais perde a importância
Só aumenta minha excitação

Não é meu menino nem será de outra tão cedo
Percebo isso não só em seus gestos
Se achar um dia preso é onde reside seu maior medo
Olho em seus olhos e desvendo
Alguém que tão assim ao mundo
Faz questão de se mostrar
Não pode achar pouso tranquilo
Em apenas um lugar!

Karolyne Gilberta
Lança esse teu olhar sacana
sobre minha direção
Faça graça faça arte
pra chamar minha atenção
Dança com vontade
se acaba na perdição
Flerta com outras, se joga
o que vale é a diversão
Depois volta, e mais uma noite
você estremece na minha mão

Grazi

Imagens mentais

As lembranças inesquecíveis que ficaram não são só suas
Ainda recordo de nós dois abraçados no meio da rua
Em frente à praça, nos amassando contra o muro
Eu tateando por entre o zíper da calça seu membro duro
Sua mão em meus peitos a me apertar os bicos
Entre outras carícias, gemidos e suspiros
Nossa respiração ofegante e as tentativas frustradas de nos manter longe um do outro
Eu virada de costas e você se encaixando em meu dorso
As mãos que sôfregas investiam nos territórios um para o outro não mais proibidos
Mesmo em minha saia longa, que era mais um impeditivo
Realmente inacreditáveis são as imagens que também guardo do momento:
Seu cheiro me levando embora a sanidade. Suas palavras me trazendo entorpecimento.
Não bastasse a rua não tão deserta e toda a adrenalina do lugar impróprio
Cada aproximação das peles nos deixava menos sóbrios
Não apenas uma vez, mas ainda uma segunda
Era imprescindível não permitir que sua mão deixasse de apalpar minha bunda
Lutar contra os desejos e conter minha rubra rosa que de prazer se fazia para você toda molhada
Para que ela não me fugisse entre as pernas de tanto que latejava.
Suas entradas.... minhas bandeiras

Penetração seguida de penetração... n’um crescente e ascendente ambicionar ter-te dentro
Você, conhecedor dos vícios de minhas curvas, sempre caminhando em direção ao meu epicentro
Contra o muro mais próximo tentar me equilibrar
Para após cada orgasmo meu corpo de prazer não sucumbir e fraquejar
Tirar a calcinha encharcada e guardá-la num bolso da roupa
Antes de sussurrar em teu ouvido: “não sei se peço penetra-me ou me fode com força”
E no ápice do gozar sentir você me escorrendo perna abaixo
E com as mãos recolher o que de mais precioso jorra de você
Colocar sutilmente em minha língua e degustar o mais delicioso e puro líquido do prazer!!


Karolyne Gilberta


*Eu sou tão sortuda e tenho amig@s tão lind@s que um deles, o Dan Rocha, fez uma ilustração para o poeminha. É essa lindona que está aí.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Afinal



Excessos
Excertos
Fragmentos de um romance sem fim nem começo
Pequenos retratos de uma guerra contra sentimentos e sensações

‘É a bossa
É a bossa’
Escuto músicas novas e mesmo as antigas e quase sempre encontro você nelas
As que ouvimos juntos nos momentos de deleite sexual
Noutras vezes as que ambos gostamos ou aquelas que jamais suporia você ouvir
Hoje eu sei que elas não só parecem fazer, mas contam nossas histórias

‘São sons
São sons de sins
Não contudo’
A necessidade de criar versos para me redimir
Para alongar a vida... para acariciar a ‘pequena morte’
Traduzir em letras o que nem mesmo o corpo consegue cont’a’rolar!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Corpo’Capital

Convido-te através de meus modos de produção do prazer a conhecer o materialismo dialético de meus lábios, mãos, nuca, coxas, nádegas e seios... passear por e entre minhas formas.
Conclamo-te a se posicionar nas minhas relações de produção com suas forças produtivas em estado de alerta constante: punho em riste e sempre à esquerda!!!
Proponho-te um mergulho sem pudores ou alienações na dialética de meu corpo com sua força de trabalho.
Esqueçamos as limitações de nossa formação econômico-social e produzamos
sob as bases materiais de que dispomos [saliva, suor, gemidos ou mesmo suspiros] mercadorias de deleite ruidosas, agressivas, prazeres puros: lambidas... beijos... mordidas... orgasmos.
Nesse processo a exploração será um mal necessário que deixarei que você eleve ao máximo!
Que a luta dos sentidos do prazer nos invada e seja nossa substância... a própria força que gera a vida.
Aproveita agora e vem extrair a mais-valia de minhas curvas e desvendar os segredos de todo meu erotismo material corpóreo!





Karolyne Gilberta

terça-feira, 16 de abril de 2013

Se mais valem as respostas...

Será que a gente se provoca através de palavras escritas
para que a chama não adormeça quando parece já esquecida?
Será que a gente se encontra em sonhos e pensamentos
para que a vida seja menos morna do que dia após dia ela se nos apresenta?
Será que são desejos reais ou apenas a vontade de que eles existam de fato
para que nossas ações que atingem diretamente os outros
e inconscientemente a nós não se tornem mais um fardo?
Ou será que a vida é curta para tantas perguntas complexas
e mais nos vale apenas gozar o resultado de todas elas?

Karolyne Gilberta

terça-feira, 12 de março de 2013

A vida

Um dia percebi que a vida, por seus caminhos tortos, queria convencer-nos que éramos a coisa mais erradamente certa um para o outro.
Se por medo ou por vaidade, não sei, passamos a maior parte do tempo sem lhe dar atenção.
Colocando a vida na balança só consigo ver hoje o quanto de tempo jogamos fora!

Karolyne Gilberta

Antonimo's

Meu barulho incessante transitando pela constância de seus silêncios
Minha pele clara contrastando deliciosamente sobre sua tez escura
Seus olhos cheios de segredos defronte aos meus cheios de sorrisos
Seus desejos confusos reinando sobre minhas quase certezas
Suas utopias e anseios de mudar o mundo confrontando meus desejos que a vida seja maior no cotidiano
Sua bagunça em meio as minhas tentativas de organização da vida, dos sentimentos, dos dias de ausência
Seus ressurgimentos lutando contra minhas necessidades de permanência
Ainda assim, cada passo seu em meus espaços realimentam a chama que não amorna nunca em meu coração.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Desejo pede voz

Deita assim
Quero derramar poesia em você
E beber
Cada gota dos teus gemidos
Teus seios pra mim
São cálices sagrados
Quero comer
Cada centímetro dos teus orgasmos

Hoje não quero teu silencioso desejo
Teus suspiros
Que melodiam os meus delírios

Hoje quero ver-te inteira
Voz inteira
Quero ouvir você
E o seu corpo
Me pedirem
Te enche a boca de água
E os olhos de vontade
E você ainda não fez



Quero que nossos exageros
Girem a terra mais rápido
Que assim que as nossas pernas
Se chocarem
Que se choquem
Os nossos melhores sons
Gravados no ar

Não conheço harmonia mais perfeita
Do que te ouvir gozar

Almi Junior

Elogio do Pecado ...


Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que goza

você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.

É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa

Atravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira, maior, mais larga
absolutamente poderosa.

Bruna Lombardi

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Nos tempos do medo

Quando eu tinha medo eu não me jogava com tanta força na vida. Por isso, as rachaduras que todos nós ganhamos por vivê-la em plenitude, em mim não eram tão grandes. Mais pareciam pequenas infiltrações que gotejavam de quando em vez.
Olhos fechados, braços abertos, peito exposto, talvez um excesso de transparência.
Depois que abandonei o medo as cicatrizes nunca se fecharam e foram somando-se umas as outras e formando um vão... uma não muito pequena cratera que passou a me compor. Um pedaço intransponível, ou quem sabe indispensável.
De tanto viver sem medo, agora guardo comigo o medo maior de que esse vão nunca se feche completamente, e, de tanto jorrar, acabe me esvaziando de vez.

Karolyne Gilberta

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Desejar é bom

Desejar é bom, principalmente quando você sabe que o que te separa de seu objeto de desejo é apenas o tempo da espera.
O caminho fica mais fascinante a cada tiquinho que a espera encurta.

K. G.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Verbos



Acostumada com fartura e abastança
Conjugava os verbos sempre no plural
Em seus amores tinha muitos amares
Ou era o inverso, não sabia ao certo.

Karolyne Gilberta.

S



Encantada por mulheres e seus lindos peitos
Suas curvas de morte e de tentar a sorte
K. G.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A vida sexual de Catherine Millet

Desaparecer durante dois dias em companhia de um homem que eu mal conhecia, ou, como aconteceu durante muitos anos, manter um relacionamento permanente com um colega que morava em Milão, valia tanto pela viagem e pela mudança de país, quanto pela promessa de ser fodida, tocada e enrabada de um jeito diferente do que estava acostumada. Se fosse possível, eu gostaria de abrir os olhos a cada manhã à sombra de um teto ainda inexplorado e, ao sair de baixo dos lençóis. ficar alguns segundos vacilante na terra de ninguém de um apartamento no qual, desde a véspera, eu desconhecia a direção em que se encontrava o corredor que levava ao banheiro. Neste momento, apenas o outro corpo que está estendido por trás de nós e que conhecemos há apenas algumas horas, mas que nos alimentou durante todo este tempo com sua consistência e seu odor, nos proporciona o inefável bem-estar do contato familiar. Quantas vezes já não pensei. quando fabulava sobre a vida das prostitutas de luxo, que esta era uma vantagem da profissão.
 
Trecho de A vida sexual de Catherine Millet.
Catherine Millet.
 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Soul


Flores no cabelo
A alma lavada
Coração cheio de amores
Ela passa como quem nada teme
Bailando ao som de seus versinhos
Toda prosa e pomposa
Vento pelas ventas
Olhos fixos no horizonte
Coberta de cores
Cantarolando pequenas cantigas doces
Uma vida toda pela frente


Karolyne Gilberta.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Por ele

Venho abandonando a escrita.
Escrever agora me faz sentir o peso
... das coisas interrompidas...
mesmo com o adeus dado no último instante
com a quase certeza de um final próximo ou imediato
na despedida que nos atingiu de surpresa
das coisas idealizadas com todas as não-realizações
dos sentimentos que persistem, mesmo contra toda a luta para deixá-los ir
das nossas muitas lembranças... na sua mais absoluta visceralidade
dos beijos, abraços e poemas trocados
das noites de prazer compartilhadas
da vida que nunca foi junta, mas também nunca se separou.
Escrever é como olhar sem poder tocá-lo, porém desejando ardentemente isso!
E vê-lo da vitrine é muito pior do que enxergá-lo passando por minha janela.


Karolyne Gilberta

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Leite Derramado

Aqui não me darei ao desfrute de divulgar intimidades de Matilde, mas digo que cada mulher tem uma voz secreta, com melodia característica, só sabida de quem a leva para cama. Foi a voz que ali escutei, ou quis escutar, havia semanas que não me deitava com Matilde. E me deliciei de imaginar que naquele momento ela se acariciava pensando em mim, como eu a namorava em pensamento toda noite em meu quarto.

Trecho de Leite Derramado de Chico Buarque.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Nosso cheiro

O cheiro que exalamos é o melhor cheiro do mundo.
Cheiro de nossa respiração e transpiração misturados um ao do outro,
De saliva espalhada pela pele,
De órgãos sexuais exalando excitação pelos poros,
Cheiro de vertigem durante os orgasmos,
De esperma lançado sobre o corpo,
Dentro do corpo,
Cheiro de bicho quando no cio.
É cheiro misto de doçura e selvageria.
De corpos que ardem... que queimam... corpos em brasa. 



Karolyne Gilberta.